28.1.10

Dia1- Interior. Casa dele nº1
Ele bebia consecutivamente três copos de água, três vezes ao dia, três minutos depois de olhar nos olhos dela. Sabia que um dia ia conseguir. Era uma questão de imortalizar o ritual até que deixasse de ser um sacrifício.


Dia 13- Interior. Casa dele nº2
-Hoje ficas na minha casa. Não haverá mais copos para lavar, nem dores de costas. Deitas-te e eu meto as mãos no teu abdómen, e pensamos no teu rebento, só teu. Mas quero que saibas que eu não…

Ela chora.


Dia 28- Interior. Casa dele nº1
Ajoelhada limpava o chão minuciosamente. As mãos percorriam cada azulejo três vezes consecutivas. O rubor da face desmascarava-a.
Ele olhou-a nos olhos e soube. Tinha conseguido. Passaram mais que três minutos e não bebeu água. Ele correu para a casa de banho e urinou para um teste de gravidez. Deu positivo.

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Eles dizem





Por vezes, tivemos uma certa dificuldade na percepção das características da face inferior, devido ao tipo particular de matéria-prima -quartzo e quartzito -, que proporciona, contrariamente ao sílex, um ténue bolbo de uma região conchóide irregular.


Isidro M. T. Gomes, in Estudo do Material Litigo de Castro de Palheiros

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26.1.10

Conversas com o Aurélio

Conversaciones con Aurelio (1)

- Y tu? Cual es tu nombre?
- Aurelio.
- Bueno…Aurelio. También existe en portugués.
- Si, como los diccionarios de portugués, verdad?



Conversaciones con Aurelio (2)

- Vaya locura…
- Vaya qué?
- Locura

(eu tinha entendido, mas queria ouvi-lo a dizer a palavra loucura uma segunda vez)


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25.1.10

She drives fast, long road. She drives fast, long road.






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Auto- exame médico

Tirar a vida a um homem não magoa.

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Exame médico


"Por vezes só assustam. Abrem uma fenda na pele e depois fecham-na. Arrumam os aparelhos. Dizem : nenhuma doença; e sorriem. Afastam-se, e tu começas a vestir-te.
Outras vezes é diferente. Fazem pequenos cortes. Tocam-te com os aparelhos. Tiram coisas do teu corpo, não interessa o quê; não magoam."

Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares


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Ao lado






Estar do outro lado não abona a favor do desespero. O vento encarrega-se de apontar meia direcção. Já o corpo não cede ao vício de dar um passo atrás. Nunca mais, disse-me. E eu fiquei só, do outro lado.


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22.1.10

Get focused



21.1.10

Dizer merda prá frente


1- Jo no parlo català
Da minha puta aula de Cinema, història i document, eu só percebo coisas tipo: tutó chó, ji chó, reflexó, nu xabia ningú, segú, segú e Agnès Varda. Quando ouço Agnès Varda, é ver-se os meus músculos faciais a relaxarem, por meio segundo que seja, da profunda concentração; e acho que fico a perceber tudo, mas a verdade é que não.

2- Ainda sobre a minha aula de Cinema, història i document, eu acho que aquela mulher (a professora) tem a bacia quadrada. O peito nem é muito grande mas ali a zona da bacia não se articula muito bem. Enquanto ela fala mete os braços para trás, com as mãos muito juntinhas como quem está a traficar bilhetes de cinema para os filmes do Luis Buñuel filmados nas Hurdes.

3- Eles dizem atrevido; eu prefiro dizer perverso.

4- A gaja deve ter vagina de atleta. *

5- Fui ver Where The Wild Things Are e eu é que vim de lá selvagem de tão fodida. A única coisa que me acalmou os nervos foi a mulher que estava ao meu lado no cinema que começou a chorar naquela decadente/desesperante despedida entre os monstros e o miúdo. Não há paciência. E a outra a chorar. O sofrimento alheio deixa-me sensibilizada, todos sabem disso.



*Peço desculpa às almas mais susceptíveis. Mas associar pé de atleta com vagina é priceless.


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19.1.10

Innocent when you dream





Os meus sonhos acordam comigo, acumulados no tutano. E há sonhos para todos os géneros cinematográficos. À imagem movimento ou à imagem tempo, é tudo bem real. Talvez o mais curioso é que eu sonhe com personalidades mais ou menos conhecidas. Pois bem, com a minha querida Inês de Medeiros é compreensível. Ainda hoje de manhã tenho perfeita noção de ter sonhado que tomávamos o nosso primeiro café e fumávamos o nosso primeiro cigarro do dia nos escritórios amarelados do cinema São Jorge. E abraçávamo-nos, por entre jornais, pelas nossas ausências.
Por outra parte, sonhar com o Pedro Mexia, não tem nenhuma razão de ser (só o vi um par de vezes na minha vida, sendo que uma delas, ele estava a negociar templates com a Menina Limão numa esplanada no Rossio). Ah, também já sonhei com a Menina Limão, mas isso fica para outro post.
Agora, muito mais estranho que isto é sonhar com a Adília Lopes, que eu nunca vi em carne e osso. Só guardo uma vaga imagem imaginária depois de me terem contado que ela ia para a Bertrand do Chiado vender os seus próprios livros (tipo aquelas senhoras que fazem exibições das magníficas propriedades do Tupperware em centros comerciais). Sendo já o cenário burlesco, tudo se transforma quando sonho que alguém me tinha vendido à Adília Lopes. O negócio era simples: a Adília pagava para ter sexo comigo. Eu, aflita comecei a correr por Lisboa inteira, mas a poetiza previa as minhas fugas e através dos seus poemas teletransportava-se para onde eu estava. E eu corria, corria. E ela encurralava-me. Até que ficámos presas numa sala de teatro do São Luís e eu…eu acordei.

Fotografia de Graça Sarsfield
 
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Exclusivo e só aqui, em Ténue Bolbo


Ele é de facto a única pessoa no mundo que realmente envia os beijos virtualmente enviados por outrem, aos respectivos destinatários.

Por isto, agradecemos.

Discurso dele:
“Obrigado pelo reconhecimento de ser, de facto, a única pessoa no mundo a entregar os beijos mandados por outrem. De facto, desde pequeno que tenho esta ambição, tendo trabalhado muito nesse sentido. Tendo tido mesmo que assassinar um venezuelano que fazia o mesmo, de modo a que fosse eu, verdadeiramente, a única pessoa do mundo a fazê-lo. Não se preocupem, ele também me queria matar pelas mesmas razões, por isso, foi justo.
Não me alargando mais para não perturbar os frágeis corações das minhas emocionadas admiradoras, aguardo com expectativa o cheque do meu prémio, referente à quantia de 3 milhões de euros, ou, em alternativa, postais na minha caixa de correio.”


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17.1.10

Eu avisei (2)




(resultado de um domingo chuvoso)


Legendas da minha magnífica ilustração (note-se que a minha habilidade para o desenho é tão grande que desenvolvi uma extraordinária capacidade para desenhar e contar histórias ao mesmo tempo):
1- O patinho foi à feira
2- A meio do caminho foi contra uma árvore (espero que não consigam ler pela fotografia porque só meti duas perninhas na letra m da palavra "uma")

e pronto, é isto que há. Hey, eu nunca prometi nada melhor.


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Eu digo (1)

Ler entrevistas a Gilles Deleuze num domingo chuvoso não dá coisa boa.
Ouvir One from the Heart num domingo chuvoso não dá coisa boa.
Um domingo chuvoso não dá coisa boa.

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Nem pensar que se rouba um coração com outro aberto. Não funciona porque nunca é suficiente.

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16.1.10

C'mon get happy

Primeiro por isto:



E depois por isto:




(obrigada Joaninha)

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14.1.10

Guimarães Gossip Girl

Ao procurar uma imagem do jogo Guess Who, dei de interface (que é como quem diz: dei de caras) com esta bela espécie de blog! Divirtam-se.

"who am I? that's a secret I'll never tell. you know you love me. xoxo. gossip girl"

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O quem é quem.



Para assegurar o anonimato dos intervenientes do post anterior, dei-me ao trabalho de dar falsos nomes a todos os meus amigos. É curioso as pessoas perguntarem quem são, ou se são a Luísa, o "ele" ou o não-sei-quem-mais. Ou então dizerem-me: já sei quem são todos, menos o Bruno. Quem é?


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10.1.10




Eu estava no comboio e ele ligou-me desde Aveiro a perguntar o que é que o namorado da Luísa estava a fazer a cantar no coro, ao lado dos seus pais. Respondi que ele é todo das cantorias e perguntei se não estava também o Vicente. Respondeu-me que não. Lembrei-me que nesse dia eu tinha almoçado em Lisboa com a Luísa, a Beatriz (namorada do Vicente), com o Martim, a Maria e a Anne. O namorado da Anne está em Coimbra. A Anne dizia-me o quanto queria que a sua mãe e irmão viessem da Alemanha para a visitar em Lisboa. Ainda no comboio, o meu pai ligou-me a perguntar se jantávamos no Porto. Disse-lhe que sim. Depois de jantar, tomo café com o Vasco e vou dormir ao Miguel, claro. E eu no comboio. Hoje fui e vim a Lisboa. Para onde vou? Leio o Não-Lugares do Marc Augé. Em Lisboa despedi-me da minha irmã num táxi a caminho da estação de comboios. Disse à minha irmã que a amava à frente do taxista e ela saiu no Camões. Chorei no táxi. O taxista começou-me a falar das obras no Terreiro do Paço. O Bruno encontrou-me na estação para nos despedirmos. Já estou no Porto, são 6:30 da manhã e apanho um avião para Barcelona.


Fotograma de Lost In Translation de Sofia Coppola.


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4.1.10

Fotogramas que nos fazem lembrar coisas que não têm nada que ver com cinema



Fotograma do filme 47 Years Later, de Youssef Chahine, realizado por ocasião dos 60 anos do Festival de Cannes


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2010, uma resolução simples





Este ano só me quero ver cair.
Desmoronar-me no chão, cair do pedestal, ser choro e ranger de dentes.
Este ano só me quero ver cair.
E mais. Quero que todos o vejam, e o vejam bem! Comprem bilhetes, marquem lugares, apertem-se à entrada.
Este ano só me quero ver cair.


Fotografia: The Distroyed Room, Jeff Wall, 1978

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