31.7.11

What's the matter? You hurt yourself?


Enganem-se os corpos que voam sem saber porque partem. Enganem-se os corpos manchados que confiam na sorte da morte. Enganem-se se haverá paz numa morte temporária.
A tua paz da minha paz, nem pelos teus cortes enterrados te mente.

Fotografia de Katherine Squier

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28.7.11

Questionários, livros e afins.




O querido Pedro desafiou-me para responder a um questionário sobre livros, frases, êxtases literários e outras quantas coisas relacionadas com livros. Eu, infelizmente, admito alguma preguiça em responder, ainda para mais nesta altura de andanças intercontinentais que colocam a minha estante bastante longe. De todas as formas, e achando que o mais interessante é captar alguma essência daquilo que a literatura nos deixa marcado na pele, quero partilhar-vos um acontecimento inesperado que tive o ano passado ao ler "As Vinhas da Ira" do John Steinbeck. Pela primeira vez ao ler um livro, tive plena noção de ler um capítulo (o XIV) e achar que, até à data, nunca tinha lido nada tão maravilhoso. Eu não me deixo iludir; não se enganem... e ainda assim, proponho-vos um exercício de deleite. Disponibilizo o capítulo inteiro (sim, tive que o dissecar) para quem o quiser ler na íntegra. Basta mandar um mail (bolbotenue@gmail.com). Não se preocupem os envergonhados que não faço perguntas, nem peço justificações. Posso é ganhar cúmplices, e isso, é sempre bom.

"As causas escondiam-se bem no fundo e eram simples - as causas eram a fome, a barriga vazia, multiplicada milhões de vezes, fome na alma, fome de um pouco de prazer e de um pouco de tranquilidade, multiplicada milhões de vezes; músculos e cérebros que ansiavam por crescer, trabalhar, criar, multiplicados milhões de vezes. A última função clara e definida do homem – músculos que querem trabalhar, cérebros que querem criar para além das simples necessidades – isto é o homem. Construir um muro, construir uma casa, um dique, e pôr nesse muro, nessa casa, nesse dique algo do próprio homem, é retirar para o homem algo desse muro, dessa casa, desse dique. Obter músculos fortes à força de os mover, obter linhas e formas elegantes pela concepção. Porque o homem, ao contrário de qualquer coisa orgânica ou inorgânica do universo, cresce para além do seu trabalho, galga os degraus das suas próprias ideias, emerge acima das próprias realizações."

 Excerto de As Vinhas da Ira de John Steinbeck.


A fotografia é conhecida e repetida aqui no blog. Mas como é minha e são os meus livros, acuso-me satisfeita com a reincidência. 
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26.7.11

Agora vivo em São Paulo.

Para grandes males, grandes remédios.

(devia actualizar as cores do meu template para uma versão mais tropical, não?)

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As pessoas perdem-se. Não quero dizer umas das outras, mas umas às outras... que, no fundo, é muito pior.





Costas com costas. Braços-desespero na cabeça.
Perdermo-nos, unidos, juntos.


Fotograma do filme Elegy de Isabel Coixet, 2008.

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22.7.11

Hoje andei com a palavra 'foder' debaixo da língua



E prometo-vos falar-vos de 'foder',  do filme Angèle et Tony aqui no blog. Porque a revista onde escrevo não me permite alguns devaneios... o que até se entende nas instituições com sérias responsabilidades linguístico-jornalísticas (termo, suponho, inventado agora mesmo e cujas autoridades da linguística não aprovarão... but who cares about them, anyway?). 
Aqui no blog mando eu e é o regabofe! 


Fotograma do filme Angèle et Tony de Alix Delaporte, 2010.
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17.7.11

Eu achava, eu achava que...sei lá!




Primeiro apanhei-os numa desculpa esfarrapada porque falavam nas minhas costas e aí obtive a primeira resposta: "São os teus olhos. Estávamos a dizer que deves andar cansada..."; respondi-lhes que não. Depois foi ela, directamente: "Estás triste?". Fiquei chateada. Decidi então que tinha que perguntar-lhe a Ela. Disse-me de tiro: "Desculpa lá Annie, mas só tu é que ainda não percebeste que andas triste há semanas a fio, foda-se!"

Fotografia de Eve Arnold.
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12.7.11

Livros de cabeceira

Isto, gostava de ter sido eu a começar.
Mas o homem sabe demasiado, pá!

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10.7.11

Lê-me.

Eu queria um poema perfeito
com o teu nome,
o meu,
e a nossa miséria.

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9.7.11

Deixem-me contar-vos como foi... (réplica nº1)




Escrevi um bocadinho sobre o Masculino Feminino na Magnética Magazine deste mês. Para quem quiser meter um olho e admirar-me ao lado do Godard (eu tipo Emplastro ao lado do Godard, entenda-se).

(Para acederem ao texto na íntegra, basta irem ao final da página da Magnética e clicarem no menu 'Cinema'. O texto está lá à vossa espera.)

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8.7.11

Deixem-me contar-vos como foi...





Amor, amor,
no coração do homem, solidão. 
E o teu rosto fica espantado ao ver o meu corpo nu de mulher.
O meu amor está no mar, nos sonhos.
E eis-nos diante da morte.



SONO QUE POR VEZES FECHA OS OLHOS À DOR, LIBERTA-ME POR INSTANTES DE MIM





Tudo se passa na terra, a mais atroz das estrelas...
E entre os homens, mais cruéis que as pedras.


Fotogramas do filme Masculino, Feminino de Jean-Luc Godard, 1966.
(Existem filmes em que se chora pelos outros. Há outros, em que se chora por nós.)
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4.7.11

Sem graça

Convidei um para vir comigo ao cinema de tarde. O outro pediu-me para eu viver com ele...

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