30.11.09

Ela ri-se, ri-se, ri-se.



Ouve-se o suor das suas mãos a pungir a arma. Ela pressente-o. Foi aí que correu por toda a casa. Os seus pés frios tropeçavam na palidez dos azulejos do chão e não tinham mais caminho para andar. Ela corre, procura-o mas não o encontra.
Ele - Aqui.
Ela desacelera o passo até ao encontro da voz, ela desacelera o coração, ela anula o ritmo cardíaco.
Ela - Eu quero sair.
Ele - Não
Ela corre para a janela. Despe-se de um trago, solta as cortinas, abre as janelas. Dança, dança, dança. Ele corre e impede-a. Arrasta-a até à cadeira, senta-a de golpe. Encosta-lhe a arma à garganta.
Ele - Diz-me, que crime queremos cometer? Diz! Anda…de que é que queremos ser acusados?
Ela ri-se, ri-se, ri-se.


Fotografia de Annete Persson
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Decide



Podes acordar com o meu desejo na tua cama fria.


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29.11.09

Tanta gente viva para um corpo morto


De todo o esplendor da imagem só me resta: tanta gente viva para um corpo morto.

Fotografia de Koen Wessing, 1979


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A minha Yashica gosta de Barcelona


25.11.09

Luta contra as expectativas



"A arte de narrar tende a acabar porque o lado épico da verdade - a sabedoria- está a morrer. Isto, no entanto, é um processo que vem de longe. E não teria sentido querer ver nele uma mera "manifestação de decadência" ou, ainda menos, de "modernidade". É, pelo contrário e apenas, uma consequência das seculares e históricas forças produtivas, que foram afastando gradual e completamente a narrativa do âmbito do discurso vivo e que conferem, simultâneamente, uma nova beleza àquilo que está em vias de desaparecimento."



Walter Benjamin, O Narrador


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