14.12.09



Ela entrou no meu quarto e eu estava na cama. Apagou as luzes e abriu a janela. Deitou-se comigo. Foi desabotoando a camisa. Eu tentei ajudá-la mas ela negou-se. “Disto trato eu”, disse-me. Foi aí que começou: primeiro chorei eu, depois ela.

Pintura da série Mulher Cão de Paula Rego, 1994
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Deixem-me lá ser assim




Ainda sobre o Bon Iver (Justin Vernon) e a sua genialidade: revolve-me a vontade de saber quem é afinal a idiota da Emma.


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13.12.09

Please, don't (réplica nº1)

Venho por este meio anunciar que não vale a pena esmiuçarem as vossas cabecinhas para me tentarem dar um beijo na mão. Conheço todas as técnicas e artimanhas para tal. Os meus reflexos estão excessivamente bem treinados; e digo ‘excessivamente’ porque é bem provável que saia uma chapada adequada como resposta (não foi?).

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11.12.09

what? what tha hell?



Alguém me pode explicar porque é que hoje de manhã dei por mim entretida, a desenhar formas de coração com os fios dos headphones em cima da cama?
E depois quê? Castelinhos, estrelinhas e pó mágico?

Fotografias da Lomography.com

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10.12.09

Please, don't



Para mim os beijos nas mãos são nojos à solta. Um desperdício e um autêntico atentado contra a minha saúde mental, aviso. Os beijos nas mãos são também lábios molhados ao de leve com pele amarrotada. Atenção, eu não recuso lábios molhados nem pele amarrotada cada um na sua vez. Mas há uma disfunção inexplicável neste cumprimento, isso há. E depois veio esse jogo infantil: hoje dou-te um beijo no cotovelo, amanhã avançamos um bocadinho mais.

Fotografia de não-sei-quem com Mao Zedong e a primeira dama das Filipinas em 1974 na China.


9.12.09

Impróprio



Não me digas que tens saudades da minha pele, quando a mancha negra do meu joelho não foste tu que a fizeste.

Fotograma de Azul oscuro casi negro, de Daniel Sánchez Arévalo
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8.12.09

We love math

Fazer o horário para o Som da Primavera (como eu gosto de lhe chamar) é tão complicado como resolver uma equação derivada parcial.

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6.12.09

Doentio (como se quer).

"mas espanco-te certamente até ficares com coágulos nas
                                                               perninhas lindas que tens."

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3.12.09

Corta ou não corta




Antes de ir deixo aberta uma votação. E passo a explicar: ando com vontade de cortar o cabelo muito curto. Por isso, estou a reunir opiniões. Até agora o panorama está:
Não- 9 votos
Sim- 3 votos
É curioso que dos inquiridos até agora, o género masculino respondeu sempre negativamente com excepção do Adriano que, curiosamente, adora o À bout de souffle do Godard como eu.


Fotograma de À bout de souffle de Jean Luc Godard


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Um pé de fora

Vou para Valência até Domingo. Diz-se que me prometeram uma paella e música a capella.

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Enquanto murmurava o seu nome o chá fervia. Soprava 3 vezes cada colherada. O chá fervia. A língua escaldava. Já não murmurava. Gritava, gritava, gritava.

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1.12.09

Som da Primavera



Porque não consigo sair daqui e porque consta que já tenho bilhete.
Como o Nuno bem os refere. Pois eu também.

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30.11.09

Ela ri-se, ri-se, ri-se.



Ouve-se o suor das suas mãos a pungir a arma. Ela pressente-o. Foi aí que correu por toda a casa. Os seus pés frios tropeçavam na palidez dos azulejos do chão e não tinham mais caminho para andar. Ela corre, procura-o mas não o encontra.
Ele - Aqui.
Ela desacelera o passo até ao encontro da voz, ela desacelera o coração, ela anula o ritmo cardíaco.
Ela - Eu quero sair.
Ele - Não
Ela corre para a janela. Despe-se de um trago, solta as cortinas, abre as janelas. Dança, dança, dança. Ele corre e impede-a. Arrasta-a até à cadeira, senta-a de golpe. Encosta-lhe a arma à garganta.
Ele - Diz-me, que crime queremos cometer? Diz! Anda…de que é que queremos ser acusados?
Ela ri-se, ri-se, ri-se.


Fotografia de Annete Persson
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Decide



Podes acordar com o meu desejo na tua cama fria.


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29.11.09

Tanta gente viva para um corpo morto


De todo o esplendor da imagem só me resta: tanta gente viva para um corpo morto.

Fotografia de Koen Wessing, 1979


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A minha Yashica gosta de Barcelona


25.11.09

Luta contra as expectativas



"A arte de narrar tende a acabar porque o lado épico da verdade - a sabedoria- está a morrer. Isto, no entanto, é um processo que vem de longe. E não teria sentido querer ver nele uma mera "manifestação de decadência" ou, ainda menos, de "modernidade". É, pelo contrário e apenas, uma consequência das seculares e históricas forças produtivas, que foram afastando gradual e completamente a narrativa do âmbito do discurso vivo e que conferem, simultâneamente, uma nova beleza àquilo que está em vias de desaparecimento."



Walter Benjamin, O Narrador


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