Receber cartões de Natal das instituições para as quais já trabalhámos é assustador. Estes adultos fazem mesmo questão de nos agregar. Feliz natal para vocês também, tá bem?
hey Charley I'm pregnant
and living on 9-th street
right above a dirty bookstore
off cuclid avenue
and I stopped taking dope
and I quit drinking whiskey
and my old man plays the trombone
and works out at the track.
and he says that he loves me
even though its not his baby
and he says that he'll raise him up
like he would his own son
and he gave me a ring
that was worn by his mother
and he takes me out dancin
every saturday nite.
and hey Charley I think about you
everytime I pass a fillin' station
on account of all the grease
you used to wear in your hair
and I still have that record
of little anthony & the imperials
but someone stole my record player how do you like that?
hey Charley I almost went crazy
after mario got busted
so I went back to omaha to
live with my folks
but everyone I used to know
was either dead or in prison
so I came back in minneapolis
this time I think I'm gonna stay.
hey Charley I think I'm happy
for the first time since my accident
and I wish I had all the money
that we used to spend on dope
I'd buy me a used car lot
and I wouldn't sell any of em
I'd just drive a different car
every day dependin on how
I feel.
hey Charley
for chrissakes
do you want to know the truth of it?
I don't have a husband
he don't play the trombone
and I need to borrow money
to pay this lawyer
and Charley, hey I'll be eligible for parole come valentines day.
Passados alguns dias do final do festival já consigo dar um lamiré do que se passou. Até agora foi-me impossível escrever o que quer que fosse, pois ainda tinha os ouvidos a silvar de tanta lascívia musical. Andei a desfragmentar-me por algumas salas de Barcelona, acho que ainda não estou inteira, mas sabe-me tão bem.
Não consigo definir qual foi o melhor concerto, tenho Woods e Beach House empatados. Segue-se Devendra Banhart e depois, com grande surpresa minha Standstill. Vi Beach House duas vezes e embora o som estivesse relativamente melhor no segundo concerto, a verdade é que o primeiro concerto na pequena sala do Sidecar me tocou especialmente. Estava muito perto do palco e via perfeitamente a Victoria Legrand que não é simplesmente uma mulher, mas sim uma mulher. É impossível não a fixarmos o concerto inteiro, tentar prever os seus trejeitos, esperar que nos olhe e simplesmente nos mate. Doce morte. Impressionante. Woods são uns executantes perfeitos. Não fogem um acorde áquilo que estamos à espera e ouvimos em álbum. Surpreendem pela sua capacidade musical, são capazes de prolongar uma melodia eternamente boa e ali ficamos com eles a vibrar o corpo. Devendra é Devendra. Nunca o tinha visto e não estava à espera de menos. Fez a sua parte, foi “rockalheiro” para animar a malta e fez uma cara tímida quando gritámos “Santa Maria da Feira”, mas não a cantou, claro (não tivesse ele andado enrolado com uma das Cocorosie que também me negaram uma música em Madrid… tudo farinha do mesmo saco). Enfim. Seguimos para Standstill e suspiro. Foi o último concerto do festival e sim senhor, os espanhóis foram bons. O concerto ganhou porque criou-se um ambiente muito especial à volta de Standstill. Estavam a tocar “em casa”, trouxeram quartetos de cordas, trompetes e trombones. Foi a rebaldaria. Toda esta ousadia misturada com a indescritível gentileza dos elementos da banda. Muito especial.
Não me quero alongar muito sobre não ter visto Scout Niblett. Ainda estou escaldada. A sala Monasterio é demasiado pequena para ela. Fomos com bastante antecedência e não conseguimos entrar. Fui beber champagne para não pensar.
Desculpem-me os amantes de Marissa Nadler, mas não.
O vocalista de Cass McCombs cravou-me um cigarro. Tive que lhe agradecer o concerto, senão ficava mal.
Bem, o resto conto-vos ao ouvido.
I’m a groupie but that’s ok:
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14.12.09
Ela entrou no meu quarto e eu estava na cama. Apagou as luzes e abriu a janela. Deitou-se comigo. Foi desabotoando a camisa. Eu tentei ajudá-la mas ela negou-se. “Disto trato eu”, disse-me. Foi aí que começou: primeiro chorei eu, depois ela.
Venho por este meio anunciar que não vale a pena esmiuçarem as vossas cabecinhas para me tentarem dar um beijo na mão. Conheço todas as técnicas e artimanhas para tal. Os meus reflexos estão excessivamente bem treinados; e digo ‘excessivamente’ porque é bem provável que saia uma chapada adequada como resposta (não foi?).
Alguém me pode explicar porque é que hoje de manhã dei por mim entretida, a desenhar formas de coração com os fios dos headphones em cima da cama?
E depois quê? Castelinhos, estrelinhas e pó mágico?
Para mim os beijos nas mãos são nojos à solta. Um desperdício e um autêntico atentado contra a minha saúde mental, aviso. Os beijos nas mãos são também lábios molhados ao de leve com pele amarrotada. Atenção, eu não recuso lábios molhados nem pele amarrotada cada um na sua vez. Mas há uma disfunção inexplicável neste cumprimento, isso há. E depois veio esse jogo infantil: hoje dou-te um beijo no cotovelo, amanhã avançamos um bocadinho mais.
Fotografia de não-sei-quem com Mao Zedong e a primeira dama das Filipinas em 1974 na China.
Antes de ir deixo aberta uma votação. E passo a explicar: ando com vontade de cortar o cabelo muito curto. Por isso, estou a reunir opiniões. Até agora o panorama está:
Não- 9 votos
Sim- 3 votos
É curioso que dos inquiridos até agora, o género masculino respondeu sempre negativamente com excepção do Adriano que, curiosamente, adora o À bout de souffle do Godard como eu.
Vou para Valência até Domingo. Diz-se que me prometeram uma paella e música a capella.
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Enquanto murmurava o seu nome o chá fervia. Soprava 3 vezes cada colherada. O chá fervia. A língua escaldava. Já não murmurava. Gritava, gritava, gritava.
Ouve-se o suor das suas mãos a pungir a arma. Ela pressente-o. Foi aí que correu por toda a casa. Os seus pés frios tropeçavam na palidez dos azulejos do chão e não tinham mais caminho para andar. Ela corre, procura-o mas não o encontra.
Ele - Aqui.
Ela desacelera o passo até ao encontro da voz, ela desacelera o coração, ela anula o ritmo cardíaco.
Ela - Eu quero sair.
Ele - Não
Ela corre para a janela. Despe-se de um trago, solta as cortinas, abre as janelas. Dança, dança, dança. Ele corre e impede-a. Arrasta-a até à cadeira, senta-a de golpe. Encosta-lhe a arma à garganta.
Ele - Diz-me, que crime queremos cometer? Diz! Anda…de que é que queremos ser acusados?
"A arte de narrar tende a acabar porque o lado épico da verdade - a sabedoria- está a morrer. Isto, no entanto, é um processo que vem de longe. E não teria sentido querer ver nele uma mera "manifestação de decadência" ou, ainda menos, de "modernidade". É, pelo contrário e apenas, uma consequência das seculares e históricas forças produtivas, que foram afastando gradual e completamente a narrativa do âmbito do discurso vivo e que conferem, simultâneamente, uma nova beleza àquilo que está em vias de desaparecimento."