25.3.10

Cheguei à conclusão que as flash mobs emocionam-me.

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22.3.10

Manhãs líquido

As minhas manhãs em Barcelona têm quase sempre uma luz difusa. Movo-me em ruas tortas onde os objectos são rosados e esfumados. Manhãs licor-melaço. Depois de ir transpirar, o que deteriora ainda mais a minha resistência à luz, vou ao mini-mercado que fica no meu caminho de casa. Àquela hora só há velhos a comprar. Costumam ser sempre os mesmos. Consigo focar as suas caras. Ali no meio há um fantasma, um senhor a quem não consigo olhar na cara. Claro que é para ele que quero olhar. De manhã, compra uma garrafa de whisky, nada mais. Não precisa de nada mais. Está à minha frente na fila para pagar. Sigo-o. Vou atrás dele na rua. Não tenho coragem de o olhar e baixo solenemente a cabeça. Vejo a garrafa entre a transparência do saco de plástico, ainda à luz da minha visão trôpega. Tenho uma vontade enorme de agarrá-lo pelo braço. Caminhar passos sem falar, sem sequer olhar. Entrar na sua casa, sentar todo o meu peso nos sofás de veludo verde-acastanhado. Eu queria sentir o cheiro a bafio, puxar de 2 copos baixos e beber com ele. De certeza que ali estaríamos iluminados pelas frinchas das persianas. No escuro da luz. Na luz exacta dos meus olhos. Seríamos os dois do mesmo líquido, até, por fim, tragar toda a nossa escuridão.
Manhãs licor-ácido.


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Desculpem

Ainda estou nesta família, é aí que habito com exclusão de todos os outros lugares. É na sua aridez, na sua terrível dureza, na sua maleficiência que estou mais profundamente segura de mim, no mais profundo da minha certeza essencial (...).

In O Amante de Marguerite Duras


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19.3.10

Put the blame on me, boys.




Quando ouvi isto pela primeira vez pensei que o refrão era "Put the blame on me, boys" e achei perfeito. Não é bem assim, mas é muito melhor.

When they had the earthquake in San Francisco
Back in nineteen-six
They said that ol' Mother Nature
Was up to her old tricks
That's the story that went around
But here's the real low-down
Put the blame on Mame, boys
Put the blame on Mame
One night she started to shimmy-shake
That brought on the Frisco quakes
So you can put the blame on Mame, boys
Put the blame on Mame


Fragmento do filme Gilda de 1946 de Charles Vidor


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Oh Joanaaa



Joana, estás a ler-me? Lembras-te da tipa cadavérica mais o amigo; que não tinham dinheiro para pagar o pequeno-almoço e foi mega confusão e resulta que catrapum: eram músicos da cena do indie? Estás a ver quem são? Pues, vienen cantar en mi ciudad. Hombre, este mundo es como un guisante!

Os Mi and L'au actuam no teatro aveirense no dia 24 às 22h.

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Souvenir

Disse-lhe que partia na manhã seguinte. A pulsação subiu para o olhar e os interlocutores ficaram pequenos. Perguntei-lhe se queria alguma coisa de lá. Sorriu de soslaio, meteu-me a mão na cara e movimentando a cabeça disse-me: Que vuelvas tu Ana, quiero que tu vuelvas.

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18.3.10

Sim. Eu sempre afirmei o amor em relação à ideia de retorno.
Volta-se, sim.
Mas nunca da mesma meneira.

10.3.10

Indirecta

Sabem, é que eu não tenho computador e a Joanna Newsom editou um novo álbum...e pronto, esta é a minha história.


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A loucura não está nela, está na cara deles



Faço-me entender?
Mal se abrem as portas para um inteiro desastre não me venham dizer quem é o personagem débil. Eu quero saber onde raio está a subtileza, onde raio está a verdade.

Fotograma de A Woman Under the Influence de John Cassavates, de 1974


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O que se passa quando não se passa nada

Não fui eu quem lhe pediu para se sentar. Porque se sentou? Remexeu os papéis que estavam pela mesa. Não se interessava por nada. Era um indolente, um insolente. Fixou-me o olhar e eu não me podia mover. Disse-lhe: "Estás a magoar-me; deixa-me ir". Respondeu-me: "Não te estou a tocar. Queres que te toque?". Calei-me.

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Neva em Barcelona, faz sol em Nova York

1º- incredibilidade


2º- negação


3º- êxtase completo

5.3.10

I will tell her that I don't want you anymore

A tua ex-namorada está a ligar-me e tu a enviar-me sms.


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Adenda do Anúncio

Fui demasiado precipitada no post anterior. Duas jovens raparigas são também muito bem-vindas. Muito bem-vindas!

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4.3.10

Anúncio


Rapariga, boa rapariga, procura dois jovens rapazes para aprender a fazer (dançar) isto, tal e qual:



 
 



Com eventual apresentação ao público em data e local a designar.
Quem quiser preparar casting: aqui.

Fotograma de Band à Part de Jean-Luc Godard,1964

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1.3.10

Mais ou menos assim

- Diz-me uma grande estupidez.
- Queres casar comigo?
- Ah... estás a falar a sério?

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28.2.10


Isto não parou de tocar toda a semana. Recomendo que se ouça a música Porquê? seguida da Odeio.
E para acordar uma casa inteira nada melhor que a Outro.

Na Porquê, temos isto, que é isto tudo:

Estou-me a vir
E tu, como é que te tens por dentro?
Porque não te vens também?


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Exactamente aqui

Estou exactamente aqui. Dás vinte passos médios para a esquerda; três grandes em frente e oito aos pulinhos para oeste, mas de olhos fechados.


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Onde habitam os fantasmas, não se devem pisar lençóis.

Fotograma de O Sacrifício de Andrei Tarkovsky, 1986

323 a.C.

 


Nunca quis que me livrasses do pensamento de um Alexandrino. Mas a verdade é essa. Não sou tão grande como os teus edifícios.


Fotograma de Juventude em Marcha de Pedro Costa, 2006

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26.2.10

Wish wisely

Alguém ouviu as minhas preces. E desta vez é que morreu mesmo.

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19.2.10

Tu assim e eu assim

         


                                                

Ganho eu?


Fotografia de Adele Reed
Fotografia de Jeff Luker

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18.2.10

Ver o fundo do forno



Preferiria ficar calada a dar-lhe nomes, mas em toda a ostentação do problema não consigo deixar de ousar mostrar a minha fraca apreciação política. É que entre a patetice (como quem atira barro à parede) e a manipulação já nem sequer dissimulada, há todo um país que não se despacha.
Quando alguém diz: "O chamado caso das escutas é meramente político", é triste. Porque um dia ensinaram-me o que era a Política e a Democracia, e não tinha nada que ver com isto. Por certo, a estória da Política (entenda-se aqui: a portuguesa) parece-me um conto infantil clássico, mas contado apenas até meio; ou melhor, deixado nos preparativos de acender uma lareira. Aí, exactamente.


Ilustração do conto Hansel & Gretel dos irmãos Grimm por Arthur Rackham

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15.2.10

Conversa ao telefone com o senhor meu Pai

- Então, e o que é que estás a fazer?
- A ver um filme!
- Olha Ana, e se te metesses a estudar? Isso sim, é que era!
- Pai, mas faz parte... este é o meu trabalho.
 (ouço-o resmungar algo indecifrável do outro lado)
- Ver um filme...aiii (e suspira)

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14.2.10

Só para ti Nana



Espero que estejas a ler isto e a chorar.
Tu és a loira e eu a morena.

Fotografias da série End Times de Jill Greenberg (ver toda a série aqui)

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Premios Goya 2010

Estive com muita atenção a ver a gala dos Goya. Por uma razão muito simples: porque sei que amanhã, em Espanha, não se falará de outra coisa na imprensa, na televisão, nas salas de aula e nos cafés.
Com muita pena minha, não perderia muito tempo com os nossos (portugueses) Globos de Ouro. Aqui reside a diferença dos nossos cinemas.

Ainda sobre os Goya, fiquei com enorme curiosidade em ver Celda 211 que ainda não tive oportunidade.
Não posso negar uma certa tristeza quanto às minhas esperanças quebradas no não premiado filme Los Abrazos Rotos de Pedro Almodóvar (com excepção na categoria de música original cujo prémio foi atribuído a Alberto Iglesias). Pelos vistos eu devo ser a única a achar que é um filme sublime. Desculpem-me a ousadia, mas é uma tal declaração de amor ao cinema, que me toca mais profundamente do que a que fez Tarantino em Inglourious Basterds neste mesmo ano. A Pénolope Cruz foi embora da cerimónia mais cedo e tudo.
Para consagrar a minha admiração, e bem sei que estou um pouco obcecada com o tema, mas, Los Abrazos Rotos imprime em película o meu último tema de eleição: os fulgores narrativos emergentes das relações dos realizadores com as suas actrizes. Vá, prometo mudar de tema muito em breve.


Para terminar: acho que o Amenábar tem cara de matemático ou físico.

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Alguém que me conte uma mentira como esta




Pierrot-Tu ne me quitteras jamais ?
Marianne- Mais non, bien sûr
Pierrot-Bien sûr?
Marianne- Oui, bien sûr...
                        ...
                      Oui, bien sûr.


(Não tenho certeza quanto ao tempo verbal, em francês, da primeira frase. Foi o que consegui entender do meu fraco fraquinho francês. ACTUALIZAÇÃO: A Mena já me ensinou, boa!)

Fotograma de Pierrot le fou, de Jean-Luc Godard, 1965

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10.2.10

Eu agradeço, oh meu deus, eu agradeço.





Je suis d'un autre pays que le vôtre, d'un autre quartier, d'une autre solitude.
Je m'invente aujourd'hui des chemins de traverse.
Je ne suis plus de chez vous, j'attends des mutants.
Biologiquement je m'arrange avec l'idée que je me fais de la biologie: je pisse, j'éjacule, je pleure.
Il est de toute première instance que nous faconnions nos idées comme s'il s'agissait d'objets manufacturés.
Je suis prêt à vous procurer les moules.
Mais, la solitude.

Les moules sont d'une texture nouvelle, je vous avertis.
Ils ont été coulés demain matin.
Si vous n'avez pas dès ce jour, le sentiment relatif de votre durée,
il est inutile de regarder devant vous car devant c'est derrière, la nuit c'est le jour.
Et la solitude.

Il est de toute première instance que les laveries automatiques, au coin des rues,
soient aussi imperturbables que les feux d'arrêt ou de voie libre.
Les flics du détersif vous indiqueront la case où il vous sera loisible de laver ce que vous croyez être votre conscience et qui n'est qu'une dépendance de l'ordinateur neurophile qui vous sert de cerveau.
Et pourtant la solitude.

Le désespoir est une forme supérieure de la critique.
Pour le moment, nous l'appellerons "bonheur",
les mots que vous employez n'étant plus "les mots" mais une sorte de conduit à travers lequels, les analphabètes se font bonne conscience.
Mais la solitude.

Le Code civil nous en parlerons plus tard.
Pour le moment, je voudrais codifier l'incodifiable.
Je voudrais mesurer vos danaides démocraties.
Je voudrais m'insérer dans le vide absolu et devenir le non-dit,
le non-avenu, le non-vierge par manque de lucidité.
La lucidité se tient dans mon froc...


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Quando eles amam demasiado as suas actrizes





    Ingrid Bergman em Stromboli de Roberto Rossellini, 1950





    Harriet Andersson em Sommaren med Monika de Ingmar Bergman, 1953





    Anna Karina em Pierrot le Fou de Jean-Luc Godard, 1965





    Sandrine Bonnaire em À nos amours de Maurice Pialat, 1983


E depois há um olhar que é só para eles, um jeito desajeitado que não compreendemos ou uma câmara que foge por estar no limite entre amar a captura da imagem e o ciúme.
Meus caros, amar no cinema é lixado; é divino.


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6.2.10

Absurd is so underrated

Eles chamaram-me absurda. E eu gostei, pois está claro! Respondi com uma grande 'absurdice' geral. Ali! Pintada no meio da testa. Não havia nada mais a fazer, o resto são as suas próprias palavras.


Quem gostar que meta o dedo no ar.

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3.2.10

killing you softly

O meu computador está  a morrer mas eu ainda vou respirando a sôfrega esperança de poder voltar a matá-lo.

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