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7.5.10
6.5.10
4.5.10
All Tomorrow's Parties
Suspiro. O senhor Vincent Moon, senhor exis-tris-pim-master da LA BLOGOTHEQUE, que nós tanto adoramos, está a menos de 152 metros de mim (nunca tenho bem noção das distâncias, desculpem). Exactamente agora. O senhor está do outro lado da praça onde vivo a derramar a sua sabedoria com alunos de uma escola de audiovisuais. Pois é. E eu aqui. Dá-me comichões, isto. Comichões!
Vai daí lembrei-me do IndieLisboa, que para além do documentário Adelia, I Want to Love, exibiu o filme All Tomorrow's Parties no qual Vincent Moon dá uma ou duas mãozinhas. E vai daí, lembrei-me da extensão do IndieLisboa a Aveiro. Uma iniciativa do Teatro Aveirense em colaboração com o Cineclube de Aveiro que projectará o filme no dia 27 de Maio às 22h. Thank God we exist.
Quem quiser um pouquinho de adrenalina musical aqui está o filme. Uma colagem exis-tris-pim-tesuda dos músicos que nos partem ao meio e não nos devolvem inteiros no final. Tal e qual como se quer, portanto. Mas aviso-vos já para não saírem da sala com vontade de terem estado dentro do filme. Consta que os bilhetes para o festival ATP são carotes, vá. Eu tenho sempre o SOM DA PRIMAVERA e isso alegra-me. Pás-pum!
Acho que vou dar um passeio pela minha praça. Não sei... está a chover, é o dia perfeito. Volto a suspirar.
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8 páginas depois do relato "Salomé y el falso profeta"
El Maestro
Por la tarde, cuando José de Arimatea descendió del monte Calvario, donde Jesús habia muerto, vio que un joven lloraba, sentado sobre una piedra blanca. José se acercó a él y le dijo:
- Entiendo lo grande que debe ser tu pena, pues en verdad ese Hombre era un hombre justo.
Pero el joven le replicó:
- Oh, no lloro por eso. Lloro porque yo también he forjado milagros: yo también he otorgado la vista al ciego, he curado al paralítico, he resucitado a los muertos. Yo también he provocado que la higuera estéril se marchite y he trocado el agua en vino y, aun así, no me han crucificado.
Oscar Wilde
em Relatos do livro El arte de conversar de Oscar Wilde, tradução de Roberto Frías, edições Atalanta
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3.5.10
2.5.10
Super 8 ou A Puta de Luxo
Sabem quanto se paga, hoje em dia, por um minuto com uma super 8? Um balúrdio. Tem que ser algo maravilhosamente recompensador. É a puta de luxo e a mais madura das câmaras de filmar contemporâneas.
Curiosamente Pedro Almodóvar deu tudo por esta menina para fazer a sua primeira metragem. A juventude tem os seus caprichos. Amou-a e cuidou-a. Deu-lhe um nome: Salomé (nada que ver contigo, meu amor). Mas sim, tratava-se de vender o corpo em troca de um sacrifício. Baseada na obra Salomé de Oscar Wilde temos acessos a rasgos do que virá a ser todo o trabalho de Almodóvar. Lembro-me que quando vi a curta-metragem pela primeira vez (suponho que há dois anos atrás), existia uma aura criminosa inexplicável que me torturou pecaminosamente. É, isto de nos vendermos ao luxo sai caro. Caro como a película para a Super 8.
O filme Salomé é de 1978. E aqui está:
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1.5.10
Your Kid Sister
Na realidade não sei porque demorei tanto tempo a admitir que mexia comigo. Precisei de ver para crer. Your Kid Sister é uma menina-coelho que canta com várias vozes. Julgo até que ela não sabe bem o poder que tem, mas isso ainda lhe dá mais graça. A sua inexperiência a entrar no palco, o vestido mal apertado, o acordeão a cair. E depois...é vê-la crescer. Canta em inglês e em francês como quem pede licença para descalçar-se. Fica então despida e já estamos todos nus e sôfregos por nos tocarmos. Foi hoje uma hora de mãos suadas. Pedi-lhe poison uma segunda vez e ela deu-me. Ah... sabia bem o que todos precisávamos. Afinal, there's nothing to regret.
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Da urgência do teatro: Blackbird
Ray- Eu estou a viver a minha vida.
Uma vida nova pela qual lutei porque perdi
Una- Alguma vez pensaste em mim?
Ray- Tenho todo o direito de afastar tudo da minha cabeça o mais que puder.
Una- No que se estava a passar comigo?
Ray- Tu achas que eu deveria reviver o que se passou todos os dias?
Isto é a minha vida.
Tu não podes
(...)
Una- Mas magoaste
Ele estende o braço e faz-lhe uma festa.
Ray- Tu estavas sozinha.
Antes de me conheceres.
Quando me conheceste.
Tu estavas só.
Eras uma criança solitária.
Os teus pais deixavam-te por tua conta.
Tu nunca o disseste mas quando eu te tinha nos meus braços eu conseguia sentir.
Agora percebo.
Eu pensava que eras forte.
Mas não és.
Eu também não sou.
Eles beijam-se.
Ray- Eu pensei em ti.
Ainda penso em ti.
Una- Pensas em quê?
Pensas em mim naquela altura?
Ray- Sim.
Penso.
É tudo o que tenho.
Una- Naquele quarto?
Ray- Sim.
A tocar-te.
A abraçar-te.
Una- A foder-me?
Ray- Sim.
A foder-te.
Una- Masturbas-te?
Vens-te?
Ray- Sim.
Eles beijam-se.
Vai ficando mais intenso.
Começam a despir-se um ao outro.
Deitam-se no chão.
Ray afasta-se.
Ray- Não. Eu não posso.
Eu não posso.
excerto de Blackbird de David Harrower, tradução de Tiago Guedes.
a fotografia é da mesma peça encenada por David R. Gammons.
29.4.10
Google Reader
Estou-me nas tintas para se no Google Reader o meu blog parece feio ou se vejam os cantos mal cortados.
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Uma mala que é um caixão. O que trazes mata-te assim tanto?

Um personagem faz-se a partir de uma ressurreição, dizia Kaurismäki. Não é que se suponha que é irreal. Afinal, morrer de uma vez por todas não tem que ser a opção.
Fotogramas de O Homem Sem Passado de Aki Kaurismäki, 2002
27.4.10
She drives fast, long road. She drives fast, long road (réplica nº1)
Já tinha inspirado a loucura, mas agora está instalada! Quem não ficar com vontade de estender roupa é porque não entende nada da escuridão da ruas.
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26.4.10
23.4.10
20.4.10
Há Alices e Alices
Esta é simplesmente maravilhosa. Foi animada em 1988 pelo surrealista Jan Švankmajer.
Nesta cena, temos portanto, lá no meio, o Johnny Depp com uma cabeça de coelho e um coelho que vira chapeleiro. O Burton lá inventava uma coisa destas?
A minha Alice é aos recortes, esboçada a carvão onde se mistura a pele humana. A minha Alice é fiel entre folhas de papel e tecidos. A minha Alice tem personalidade e se é para encher um quarto com lágrimas, enche-se um quarto com lágrimas.
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19.4.10
O meu amigo gay mandou-me isto mas acho que não era para mim
Este vídeo que acompanha a música Maniac interpretada pela Pj Harvey, é feito com retalhos do filme Un chant d'amour de Jean Genet realizado em 1950 mas exibido muito mais tarde dado o seu teor sexual. Talvez não fosse para mim mas eu gostei e agora quero vê-lo. Toma!
Bem, o que ele sabia era que eu queria dizer isto:
I need a man
To bring me love
To make me sing
I said I need a man
To make me feel
Like I'm a queen
I said to take me to the god heights
And kiss the devil on the mouth
I need a man
To make me moan
To make me bad
I need a man
To drive me slow
To drive me mad
I said to take me to the god heights
And kiss the devil on the mouth
To leave me, oh no no no no
I need a man
His heart is stone
His mother's bad
I need a man
His heart is stone
The deepest black
His heart is stone
His mother's bad
His heart is sick
The deepest black
M
A
N
I
A
C
I
Need
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Bem, o que ele sabia era que eu queria dizer isto:
I need a man
To bring me love
To make me sing
I said I need a man
To make me feel
Like I'm a queen
I said to take me to the god heights
And kiss the devil on the mouth
I need a man
To make me moan
To make me bad
I need a man
To drive me slow
To drive me mad
I said to take me to the god heights
And kiss the devil on the mouth
To leave me, oh no no no no
I need a man
His heart is stone
His mother's bad
I need a man
His heart is stone
The deepest black
His heart is stone
His mother's bad
His heart is sick
The deepest black
M
A
N
I
A
C
I
Need
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Ecrã Pontemkin
A propósito da visita de Catarina II, imperatriz da Rússia, em 1787, aos seus países mais recentemente conquistados- Ucrânia e Crimea-, o príncipe Grigory Alexandrovich Pontemkin decidiu criar povoações falsas para impressionar a imperatriz. Conta a história que uma série de artificialidades espantaram os olhos da Imperatriz.
Isto para contar que a expressão “cidades Pontemkin” acarreta consigo a conotação de construções ilusórias, artificiais e portanto discordam da verdadeira realidade. Uma destas cidades conhecemos bem pela câmara de Peter Weir, no filme The Truman Show de 1998.
Isto ainda para contar que outro exemplo destas “cidades” foi o desplante do senhor Adolf Hitler que deu ordem directa para se iniciar o processo de embelezamento do campo de concentração de Terezín, pois receberiam a visita de um comité internacional da Cruz Vermelha. Os senhores da Cruz Vermelha estavam preocupaditos, vá, depois de terem ouvido rumores de um tal plano “solução final”, que aniquilaria a raça judia da superfície da terra.
Aconteceu que foi tão bem montado o cenário nazi que o relatório deste comité não descobriu nenhuma infracção aos direitos humanos. Sabe-se hoje que este campo de concentração, de seu nome Theresienstadt ou Gueto Paraíso, tinha um dos maiores níveis de aniquilamento de judeus através das famosas câmaras de gás, subnutrição e proliferação de doenças. Entrevistado por Claude Lanzmann, Maurice Rossel, um dos enviados deste comité, contou que os seus olhos eram os olhos do mundo e tinha a obrigação de ver mais além, contudo não havia o menor sinal da cruel realidade, pois tudo era um “ecrã perfeitamente elevado aos seus olhos”.
Tudo isto, ainda para dizer que o senhor W.G. Sebald escreveu um livro intitulado Austerlitz cujo protagonista, a dada altura, procura nos filmes nazis de propaganda (realizados exactamente aquando da visita do comité internacional) o rosto da sua mãe. Para ver as imagens com cuidado, passa o filme em slow motion o que produz uma distorção do som. O que antes eram vozes energéticas passaram a ser rugidos ameaçadores; iguais às feras enjauladas que ele reconhecia de uma visita ao jardim zoológico. O protagonista não encontra a sua mãe mas pressente o perigo daquelas imagens aparentemente banais.
Tudo isto para dizer que me faz pensar no filme Memory of Berlin de John Burgan de 1998.
Tudo isto para dizer que quero ler o livro, que não li. Pronto, é só isto.
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16.4.10
O Processo ou Vê-se mesmo que é sexta-feira.
Quando uma mulher se cansa não o faz de passo seguro. Tem que soltar os cabelos, tirar o verniz das unhas e adormecer por fim, com o cheiro da acetona no nariz.
Fotografia daqui.
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Worried About You
Lembro-me que nesse ano só chorei uma única vez. Porque tinha medo. Porque sentia que tudo estava a mudar. Porque ele não me atendia o telefone.
A Worried About You dos Rolling Stones tem um tom interminavelmente comovente. Sofre aí...
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15.4.10
Eugénio de Andrade; conhecia-nos bem
Do fundo do corpo
Não dormia, passava horas e horas à escuta, acabando por distinguir no emaranhado de sons os rumores mais ínfimos, a aranha a tecer a teia ou, ainda mais audível, a luz abrindo caminho a pulso entre a espessura dos reposteiros. O silêncio chegava tarde, perdido na rua o eco dos pássaros derradeiros. Só estão ganhavam relevo aquelas pancadas vindas do fundo do seu corpo. Sempre ali estiveram, mas só nessas alturas surgiam limpas de outros ruídos, cada uma delas com perfil de espada. Até quando iriam durar? Porque chegaria um momento, disso não tinha a menor dúvida, em que o deserto da noite e o silêncio do corpo formariam uma substância única, para sempre inseparável do ardor do orvalho, subindo matinal os últimos degraus.
(Vertentes do olhar, 1984)
Interminavelmente
Entre as quatro paredes da memória acodem ao pátio os fulvos relinchos das éguas- ó manhã, manhã interminavelmente no meu sangue.
Poucas, muito poucas, quase nenhumas palavras são necessárias para trazer esse aroma- os lábios incendeiam-se, era um rapaz que se despia, agonia breve.
Depois do sol era como se nascesse ali- não voltaremos a falar em deserto a propósito do corpo.
(Vertentes do olhar, 6.6.1985)
Com as primeiras chuvas
Abrir as mãos. Como ser o vento fora a maravilha. Acariciar-lhe a crina, a lentíssima garganta. Deixá-lo partir, jovem ainda. Com as primeiras chuvas
(Memória de outro rio, 1976-1977)
Ainda sobre a pureza
Não gostaria de insistir, mas a beleza dos jovens que se amam é melancólica. Eles não sabem ainda que o desejo de morte é o mais perverso, que só uma coisa os tornaria puros: roubar o fogo e incendiar a cidade.
(Vertentes do olhar, 25.11.1985)
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13.4.10
Ela está no meio de nós
A Imitação de vida por um lado, e eu por outro.
Fotogramas de A Divina Comédia de Manoel de Olveira, 1991
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12.4.10
10.4.10
I'm here. Where are you?
Como todos sabemos às segundas-feiras a malta lá da minha terra vai ao cinema no teatro aveirense. Yheay! Acontece que o filme é o Where the wild things are. Filme pelo qual já estrebuchei aqui no blog pela minha pouca paciência. Não obstante, fui procurar algo que desse uma abédia ao Spike, esse tipo! E encontrei algo. Não encontrei, encontrei... mas encontrei algo. E vai daí, chama-se I'm here e tem um curioso site que nos faz entrar numa sala de cinema (experiência interessante para quem está a estudar as novas salas de cinema, tipo eu) onde, como numa sala normal, teremos que esperar que o público componha a sala para iniciar a sessão. Por isso, o que estes senhores fizeram foi dizer-nos para chamarmos amigos no facebook .Yheay! (segundo yheay!...bora fazer amigos noutra comunidade virtual...tudo muito interessante). Caso sejamos mais da onda mostra-me-lá-isto-rápido, também podemos ver o filme sem ter a sala cheia.
Acima está o cartaz do filme, patrocinado pela Vodka Absolut, pois claro.
Logo no primeiro plano, cheirou-me a Miranda July. E não é que?
Bingo! Aqui está ela numa fotografia das filmagens do I'm here.
Não me perguntem o que estava lá a fazer, mas que eu tenho olfacto, lá isso tenho.
Para além disso, a banda sonora tem a participação da até agora desconhecida Aska Matsumiya que é japonesa e gira e pronto, gostei da música.
Tudo isto para dizer: malta da minha amada terra, ide ver o cinema do Cineclube de Aveiro.
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6.4.10
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