16.7.10

Proposal


Hoje, oficialmente e pela primeira vez na vida, fui pedida em casamento à séria. Recusei, claro. Mas o "interessado" disse-me que se eu mudasse de ideias podia voltar àquele sítio que ele esperaria por mim. Era ucraniano e disse-me que era bom homem e que tinha carta de condução.
Já tive amores muito menos fiéis que isto.

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14.7.10

Não consigo parar de rir







Vejo em loop e rio-me sempre.
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A minha felicidade dos livros





O meu caos é bem mais pequeno que o do Pedro Mexia, mas ainda assim, o sentimento é muito parecido.

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13.7.10

She's my person (sim, como se diz na Anatomia de Grey)





Quando a TUA pessoa está a centenas de km de distância a comunicação é rápida e eficaz. Nisso, a minha pessoa bate qualquer outra pessoa. Nisto, a minha pessoa faz-me tanta falta. Nisto, a minha pessoa saberá que não posso viver sem ela. 



o fotograma usado é do filme Elegy da Isabel Coixet, 2008

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Inversão de sentidos




Humbert- Yes. Now, look, Lolita...
                      I have a great feeling of...  ... tenderness for you.
                      While your mother is ill, I'm responsible for your welfare. We're not rich, and while we travel
                      we shall be obliged... We shall be thrown a good deal together...
                      ...and two people sharing one room, inevitably enter into a kind of...
                      ...how shall I say, a kind of....
Lolita- Aren't you going to go down and see about the cot?




(Agora sinto-me nova outra vez).

Fotograma de Lolita de Stanley Kubrick, 1962.
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Cross my heart and hope to die



Sobre o regresso (exercício nº3):
Lolita- But everything has changed all of a sudden.
               Everything was so, I don't know, normal.
Humbert- Lolita, please, please, don't cry.
                     We'll do things. We'll go places.
Lolita- But there's no place to go back to.



Sobre o passado:
Lolita- You will promise, won't you?
Humbert- Yes, I promise.
Lolita- Cross your heart and hope to die?
Humbert- Cross my heart and hope to die.
                     Cross my heart and hope to die.
                     Cross my heart and hope to die.





Não consigo não cantarolar esta música ao ouvir "Cross my heart and hope to die". É que tenho muito orgulho neste álbum do meu ano (1986) que eu comprei contigo há muitos anos atrás (quando me levaste às Lisboas, só os dois, dessas viagens que só agora podem ser reveladas). Há muito que aprender daqui: Everything but the girl, Baby the Stars Shine Bright. Ai, hoje sinto-me velha.

Fotogramas do filme Lolita, de Stanley Kubrick, 1962.

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10.7.10

Annie in Revolt



Já alguém viu o Youth in Revolt? Aposto que ia detestar! Mas é que o Michael Cera é tão, tão a minha cena que estou prestes a cometer a loucura e ver o filme. E fica aqui a prova que eu já não me interesso por rapazes com calças de pijama, ok? Já passei essa fase. Agora gosto dos lavadinhos.

Fotograma do filme Youth in Revolt de Miguel Arteta, 2009.

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Alvim?



Sou só eu que acho que o senhor pintado na parede parece o Fernando Alvim? O fotograma é do filme Mur Murs da Agnès Varda, um documentário de 1980 filmado em Los Angeles. A Agnès vai para Hollywood e quem é que aparece? O Alvim!


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Prefiro mil vezes a consciência de que a nossa vida não é um drama (e portanto muito, muito aborrecida); que verdadeiramente e veementemente acreditarmos que se vive na maior tragédia à face da terra. Todos gostamos de espadas e corpos dilacerados. Eu também. Quantas vezes aqui afirmei que te queria cortar aos pedaços e meter-te no congelador? Umas quantas. Tudo verdade; sou a primeira a atirar-me a pedra (olha eu a levantar a mão direita que segura uma pedra até cima da minha cabeça e a deixá-la cair... pumbas!). Mas quem chega até mim com as suas espadas e seringas (e às vezes há quem venha com analgésicos; depende da geração), vê logo que sou mentirosa. A mim não me apetece cortar ninguém. Muito menos a ti (por exemplo, este "ti" podia ser do drama, mas não é). E sou assim. Porque na verdade há muita pouca ciência (ou paciência, que também ficava aqui bem, mas não quero ir por aí e nem seria bem assim) no drama. E entre ciência e arte, eu escolho a ciência. É que dá-se um dia em que percebemos que "ser da arte" não é usar o sangue como tinta; mas descobrir a equação química que converte as propriedades da hemoglobina numa tinta infinita.

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5.7.10

A urgência de voltar a permitir que nos deixemos maravilhar (exercício sobre o regresso nº2)






Na minha cabeça, o local da peça abaixo, do filme Angel do Joseph Cornell, e este local do filme Elegy  (Isabel Coixet) são o mesmo sítio. Não me perguntem porquê. Eu disse-vos que isto dos lugares e maravilharmo-nos com eles e tal, tem muito de sagrado. É preciso um bocado de fé, às vezes. A lição: locais revisitados = fé.


Fotograma do filme Elegy de Isabel Coixet de 2008

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A urgência de voltar a permitir que nos deixemos maravilhar (exercício sobre o regresso nº1)



Talvez pareça indelével tudo isto. A mim parece-me a obrigação como se fosse um ritual sagrado. Esperem; é um ritual sagrado.

Angel de Joseph Cornell, 1957


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Sobre o regresso

-Se me atirassem ao chão, desta vez, não iria gritar. Foi assim que aconteceu quando arrumei a tralha pela primeira vez. Tudo no lugar, sim, estava tudo no devido lugar. Hoje, se me atirassem ao chão, as cicatrizes não iam abrir e o chão seria cómodo. Agora, as minhas cadeiras e lâmpadas estão violadas. Já não servem a sua utilidade; já não estão no devido lugar. Mais, o lugar já não existe.


-Três vezes inspirei o teu nome. Não para me calar, para te calar a ti.


-Sobra-me espaço aqui. Não tenho onde cruzar as pernas, nem posso apertar-me contra a parede. Alugo metade de um quarto!


-Mãe entra pelo quarto a dentro e diz à minha irmã: -Ah, ainda está a dormir. Ah, ela não está sozinha, são dois corpos… ainda não estou preparada para isto. Ah, mas é um homem ou uma mulher? - Mãe sai do quarto.


-Ainda não mergulhei no mar; já vi os olhos da Annika.


-Esta semana vou ao Porto. Não, vou a Lisboa. Ao Porto, a Lisboa?!


-Recomeçou a época balnear das sessões de cinema em minha casa a horas menos prováveis. É só aparecer.

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30.6.10

Sem mais (réplica nº1 ou As despedidas são fodidas, são divinas)



Prometi-te não (te) chorar. Desculpa-me por não cumprir com a minha palavra.

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A minha casa cabe num elvador





A minha casa coube num elavador. Porque esta minha casa; foi tudo isto; fomos nós assim!

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29.6.10

Sem mais

Estou cansada. De tanto, de tudo, disto. De ser sempre da mesma maneira. De malas, mudanças e merdas de esperanças. Estou cansada por não dormir há 3? 4 dias? Estou cansada de partir. Estarei da mesma maneira ao chegar.

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26.6.10

Freely to remember




And now we gotta take some time
Get to know each other our whole lives
And I call on you to remind
Nothing's really mine
Except for

Freedom, freedom en meu coração
Freedom, freedom en meu coração
I'd like to live that way
Oh I'd wanna stay stay that way

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25.6.10

Pelo amor da santa, vizinhos! Parem de foder que eu tenho que trabalhar a noite toda e vocês desconcentram-me.
C'a raios.

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23.6.10

À minha querida Agnès que me rouba as noites





Plus ne suis ce que j’ai été
Et ne le saurais jamais être
Mon beau printemps et mon été
Ont fait le saut par la fenêtre.
Amour, tu as été mon maître:
Je t’ai servi sur tous les dieux.
O si je pouvais deux fois naître
Comme je te servirais mieux !

Clément Marot

E do mesmo princípio navego eu contigo. A querer servir-te cada vez melhor.

Fotograma do filme Les Plages d'Agnès de Agnès Varda, 2008
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22.6.10

5,70€ con desayuno

Tenho o Ne change rien do Pedro Costa em casa para ver. Mas ainda não o vi no cinema. E estou a contorcer-me toda, entendes?
Tenho, definitivamente, que acordar cedo e ir tomar o pequeno-almoço aos cinemas Alexadra que é o único sítio onde exibem o filme (que só estreou este mês em Espanha). Só há sessão às 10 da manhã e, por 5.70, dão-te o pequeno-almoço mais o filme. Barcelona no seu melhor. Eles aqui chamam-lhe uma matinal com desayuno, entendes? É o pacote completo de uma noite que "ne change rien".

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You don't have to put on the red light




Não me perguntes o que acontecerá. Mais interessante que tocar-te é dar-te espaço para tu passares.

(gosto especialmente que os meus homens-fotográficos fiquem tingidos de vermelho)


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20.6.10

Níveis filosóficos de sedução




Complicadote, han?
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19.6.10

o baile dos cinéfilos





É sempre assim. Quando nos despedimos para sempre é que entendemos o quanto nos merecemos. E com um bocado de coragem e álcool, não é difícil partir corações. Foi o que aconteceu. Pois sim, A., eu também sabia que te merecia um espaço tão grande como o que eu te dedicava a ti sem saberes. E a ti, R., intuía que dar cambalhotas e dançar até às 7 da manhã seria o nosso futuro, mesmo que me competisse dar-te sempre comida na boca e abrir-te a porta de casa porque tu já não serias capaz. Contigo, M. trocaríamos livros incansavelmente porque na verdade somos umas românticas de merda. A vocês, E. e Ad., sim, era convosco que ia chorar por me sentir tão pequena. E contigo, J., não te permitiria entrar nos meus olhos como entraste, mas dar-te-ia sempre abraços dos nossos; e não serias tu o desprotegido porque a vulnerabilidade também mora por aqui. Dizer adeus é sempre tão revelador e tão, tão, penoso.

A fotografia é do primeiro festival de Cannes em 1946.

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18.6.10

Transpirar fundo




Não posso negar que não me tenhas influenciado a semana, o mês, o ano.

Slavoj Žižek transpirou-se (como se pode ver pela fotografia), literalmente, no ardente auditório do Instituto Francês de Barcelona. O tema era "O que se passou com a verdade? O que se passou com a revolução?" e o filósofo fez-me as delícias ao começar o tema com cinema: Charlie Chaplin, e a percepção sonora através do corpo. Como ouvimos os movimentos? Como se dá essa pequena revolução de verdade? Tumbas. Cartas lançadas para o que seriam duas horas extraordinárias de uma consciência mordaz do que é este nosso cosmos político, social e cultural. A palavra chave foi "cinismo" e aí doeu onde tinha de doer. Falou-nos das mentiras que toleramos e alimentamos; numa fetichista transposição de verdades. Slavoj ganha pelo trejeito nervoso e pelas palavras simples como apenas os grandes sabem fazer. Ouvia-o durante horas e horas. Para terminar este post mais uma nota fílmica de Slavoj: Para se fazer a revolução há muito que entender Fight Club de David Fincher (1999), na cena reveladora em que antes de bater no patrão, tens que te esmurrar a ti próprio.
Tudo a revolucionar-se, por favor. E não ler "tem que começar por ti", ler "tem que começar por mim".

A fotografia foi retirada do arquivo do el País online.

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Mostra-me o teu que eu mostro-te o meu





(oh bolas, perdi o link de onde veio a imagem)

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15.6.10

Something



Este é o vídeo mais fofo das fofuras da fofurice mundial. E; sabes? Há uma versão legendada em espanhol (aqui), caso isso te faça rir.

Something in the way she moves,
Attracts me like no other lover.
Something in the way she woos me.
I don't want to leave her now,
You know I believe and how.

Somewher in her smile she knows,
That I don't need no other lover.
Something in her style that shows me.
I don't want to leave her now,
You know I believe and how.

You're asking me will my love grow,
I don't know, I don't know.
Stick around, and it may show,
But I don't know, I don't know.

Something in the way she knows,
And all I have to do is think of her.
Something in the things she shows me.
I don't want to leave her now.
You know I believe and how.


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12.6.10

Eu, etc.



Me resisto a describirme, por temor a que un exceso de detalles particulares os haga tomar mi problema con menos seriedad. Pero puedo describiros a Nicky, y así también, por inversión, me estaré describiendo a mí.

Do livro Yo, etcétera de Susan Sontag (o meu novo vício que não ouso traduzir)

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A single man



Baby, we used to make love watching movie trailers. Now you're a single man with a bass guitar.

(prometo que este blog não vai passar a ser um expositor de fotografias minhas, mas ohmm...ando a ver se algum dia consigo dominar uma máquina fotográfica)

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10.6.10

Mea culpa





Ando a comer pecados e são bem vermelhos. Se bem que já não tenho paciência para pecar. Oh, é tudo tão confuso...

(NOTA: todas as fotografias que não têm referência aos seus autores ou proveniência, ou admitem a origem desconhecida, ou são minhas e fui eu que as tirei)
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8.6.10

2/3 dela, 1/3 dele (réplica nº1)



Como aprendemos a desenhar os limites de um frame nos nossos beijos? 

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7.6.10

Happily Ever After




Achei bastante cómico ter recebido uma mensagem no meu telemóvel português a dizer que a Teresa e a Helena já estão casadas. Teresa e Helena, vocês estão no meu coração! É o que dá ter aderido às "notícias de última hora do jornal Público no seu telemóvel". 
(Baby, eu sei o que estás a pensar...que nós as duas vamos ser das próximas. Damn right! Temos é que esperar até aos 50 porque esse é o acordo pré-nupcial.)
Quem quiser ler mais, aqui.


Fotografia daqui.
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