15.11.10

Bang Bang







Fotogramas do filme La Double Vie de Veronique, de Krzysztof Kieslowski, 1991

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12.11.10

Pão e cigarros





São crianças e pediram-me uma das cadeiras da minha mesa. Dei. Depois levaram-me o isqueiro e o cinzeiro. Dei. Pediram pão e comeram. Agora fumam-me cigarros de paciência com bolas de pão mastigado no canto da boca.

Fotografia de Joseph Szabo, 1969

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contas vezes contas

Sem mais sete vezes trinta e uma oportunidades de falhar, fico eu sem menos trinta e uma vezes sete oportunidades de te dizer que não sei onde vou parar. Ficas tu duzentas e dezassete vezes com tudo, dás-me duzentas e dezassete vezes o tudo ou nada da nossa vontade de fugir.

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10.11.10

Faz o frio ou Detesto dormir cheia de roupa

Tenho 3 pares de meias calçadas, uns leggings e umas calças de pijama, duas camisolas de algodão e um casaco de lã. Tenho lençóis, edredão, uma manta e 3 cobertores... Carambas, isto podia resolver-se de forma tão mais simples...

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4.11.10

S.



JACK- (...) Esvaziei a minha carteira. Era de esperar que um miúdo aceitasse subornos: mas tu não. (pausa) Ele [o Pai] já se tinha ido embora há um ano, quando tu fizeste oito anos e começaste a desmaiar. Na escola andavas a desmaiar a toda a hora, a professora ligava-me, eu dizia-lhe que era de família. (tempo) Sabes aquele sonho? Estamos a caminhar à beira de um precipício e está vento e escorregadio, estamos os dois lá em cima e tu és pequeno e estás a fazer disparates, não me prestas atenção e eu estou mesmo a ver o que vai acontecer e depois tu Cais. Escorregas-me da mão e cais no precipício. Eu vejo-te no ar, a cair, a ficar mais pequeno, e depois Desapareces.

Pausa

Então comecei a falar. Contei-te tudo sobre o pai. Tudo aquilo que me viesse à cabeça. Punha um prato com comida à tua frente, um copo de leite, um bocado de pão. Tu ouvias-me como se eu fosse um Deus a falar e comias o que eu te pusesse à frente.

Excerto da peça "Num dia igual aos outros" de John Kolvenbach.

(Este tipo; és tu a falar-me. E aquela da imagem és tu, e sou eu a ver-te enquanto caio.)

Fotografia da Annie
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É assim que eu faço



"Havia muitas formas de fazer isto.Tu pegaste isto pelos tomates.": foi, até hoje, o melhor elogio que um Professor me deu.

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Cortei o fora e o dentro



Cortei o fora e o dentro. Estou dentro; encostada às portadas. Estou fora; espalhada nas luzes que resistem. 

Fotografia da Annie

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14.10.10

Bad idea



Steffen Basho-Junghans- Inside the rain



Ouvir parte do concerto do Steffen Basho-Junghans completamente às escuras num cubículo de 1 metro quadrado, sem poder vê-lo a ele nem a ninguém... só a lidares contigo próprio: Not a good idea.

Fotografia de Nuno Cassola

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13.10.10

Notícia de última hora: a Annie apaixonou-se.


Depois de longos e solitários meses, Annie descobre uma nova razão para viver. 
O seu arrebatamento é tão forte e descontínuo que Annie quase que desmaiou. Mas respondendo às nossas questões em primeira mão, ainda na ambulância, Annie diz que, e passo a citar, "é tudo uma questão de tamanhos."

 Ora clica Aqui, meu amor!! 


Vá, deixem-me ser assim só hoje. Post ao abrigo das normas jornalístico-literárias do Correio da la Mañana.

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12.10.10

Go get some Rosemary



E o miúdo acertou. Quando o Pai lhe perguntou eu fiz as minhas apostas. E também acertei!
Vão-me Buscar Alecrim soube a muitas coisas boas, mas a pouco também.

Fotograma do filme Go Get Some Rosemary dos irmãos Safdie, 2009.

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7.10.10

Ando a dar-lhe na gelatina de morango. E tu?


E gelatina? Funcionará por completo? Hmmm

não me lembro onde desencantei a imagem.
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Nome masculino1. Apetece-lhe Helena. Excitado pelo aspecto triste de Helena. Vai até ao balcão do bar. Está ao lado dela. Pensa: Helena, Helena, por fim. Nome masculino 1 olha-a sem fim. Está a explodir de coragem. Helena olha-o com ar intransponível. Nome masculino 1 diz: "Prova-me que eu estou aqui". Nome masculino 1 ouve Helena, vê-a a afastar-se e segue-a com o olhar; lascivo. Nome masculino 1 bebe de um só trago o resto da cerveja.

Helena. Apetece-lhe beber. Entediada. Arrasta-se até ao balcão do bar. Pede um copo de vinho. Dizem-lhe que vai demorar porque o vinho está na outra sala, etc. e tal. Helena nem ouve o que lhe dizem até ao fim. Pensa: Nem para beber, porra Helena. Diz: "E tu porque me olhas?" Vinho. Finalmente! Helena faz-lhe um brinde; um brinde não, deixou o peso do seu copo embater na garrafa dele. Helena fala-lhe: "Tu estás aqui, eu é que estou noutro lugar". Helena bebe sozinha noutra sala do bar.

Helena senta-se. Diz-lhe: "Não sei dançar".
Nome masculino 2 levanta-se. Diz-lhe: "Queres dançar?"

Helena dormiu mal. Vai à praia sozinha. Senta-se no café da praia e lê. Bebe chá. Helena começa um jogo de olhares com o indivíduo desconhecido da mesa da frente. Ele olha-a e ela fica excitada. Ele relembra-lhe alguém, mas Helena não quer perder tempo a pensar. Helena paga e levanta-se. Helena deixa um bilhete na mesa do indivíduo. O bilhete diz: queres dançar?. Helena sai e caminha junto ao mar, está animada. Helena responde ao chamamento. Helena diz: "Mas eu deixei o bilhete na mesa". Ouve com atenção e responde tremendo-lhe a voz: "Ele não estava ali? Prove-me que ele não estava ali". Helena sente-se quente e agradece ao Nome masculino 3. Helena perde as forças e deixa-se cair à beira do mar. Quando volta a si, lembra-se quem lhe lembrava o indivíduo desconhecido.

Nome masculino 3 segue Helena. Diz-lhe: "Minha Senhora, olhe! Esqueceu-se deste papel numa das mesas". Ouve e responde: "Mas ali não havia ninguém, só a Senhora. Hoje quase que não tivemos gente no café". Nome masculino 3 volta para o café e fecha-o mais cedo que a hora habitual.

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Casa de Lava, Astros e luzes



O horóscopo da semana passada dizia que os nativos de Leão podiam vir a trabalhar com uma mulher influente. Acho que ando um ano à frente do meu horóscopo. Começo a dar-te ouvidos quando dizes que não há luzes intermitentes na forma de alinhar os astros. 
Mas a verdade é que ali está um Leão (Isasch De Bankolé), um homem vivo a braços com o mundo dos mortos. E aquilo que ela tem na mão? É uma luz? Ai, já não entendo nada.

Fotograma do filme A Casa de Lava de Pedro Costa, 1994

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3.10.10

I'm not afraid to be kind

- Eu sei que ando desaparecida, pelo menos é o que sinto em relação a este blog: que ele me está a desaparecer.

- Esta semana prendi-me à vida com concerto da Diane Cluck. Ainda não te disse mas a última música foi uma das minhas favoritas: My Teacher Died. Apertei-me. Contudo, houve uma revelação enorme de algo que não me sai da cabeça. É tão pesado e verdadeiro como isto: I'm Not afraid to be kind. (Não encontro a música, senão, desta maneira).

- Eu sei que ando desaparecida, pelo menos é o que sinto em relação a este blog: que ele me está a desaparecer.

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27.9.10

4 Noites com Anna


Perdi o meu DVD original do filme 4 Noites com Anna. Já o procurei por todo o lado e não encontro. Acho que isto diz muito do que anda a acontecer por estes lados.


Fotograma do filme 4 Noites com Anna de Jerzy Skolimowski, 2008
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22.9.10

Ciclos de vida



(aquelas estrelas ninguém vê, fiquem descansados)

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19.9.10

Flaws, muitas


Bombay Bicycle Club, Flaws

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O meu país



Acho-o arrogante. Vem com aquelas manias da academia estatal e não entende quando lhe minto. Nem entende quando lhe quero dar a entender que estou a mentir. Deixou de querer saber de mim ou de lutar por mim. Simplesmente porque não lhe interesso; e ainda cai no velho jogo de me manipular por um som capital. Eu tentei amá-lo, mas isso não chegou. Na verdade, é implícita a reciprocidade. E isto só faz de nós os dois um grande embuste. A questão é: até quando?

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15.9.10

HOJE é ressaca

Ele - Vamos correr na chuva?
Eu - Vamos. E podemos beber álcool?

(são 3 da tarde, eu sei)
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13.9.10

HOJE é amor.


Meus amores, finalmente, todo o meu amor por este filme,
 vai estar esparramado na tela branca do cineclube de Aveiro. Que orgulho. Venham todos, vá! 
Sempre às 22h no Teatro Aveirense.

miga, desculpa ter-te cortado os cantos. O cartaz é da Menina Limão.

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12.9.10

Leões



Se as minhas plumas pesarem sobre as costas; se as lantejoulas douradas acabaram por se perder no tecido e estiverem cravadas na minha pele; se eu não rugir... então, por favor, devolve-me ao circo.

imagem de autor desconhecido do espectáculo Le Fil Sous La Neige.

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11.9.10

Ahahahaha ah. 

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10.9.10

Foi a Menina Limão que perguntou.




Estou bem. Comprovar carregando no play.
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The saddest part of a broken heart
Isn't the ending so much as the start.

Feist- Let it die


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8.9.10

4.9.10

- Próximo! - McChiken menu com Coca-Cola, por favor.



Surge então uma tendência a isolar do ego tudo o que pode tornar-se fonte de tal desprazer, a lançá-lo para fora e a criar um puro ego em busca de prazer, que sofre o confronto de um "exterior" estranho e ameaçador. As fronteiras desse primitivo ego em busca de prazer não podem fugir a uma rectificação através da experiência.

Sigmund Freud em O Mal-Estar da Civilização

Acho que a maneira como funcionam as filas e o pedido de comida no McDonalds demonstra perfeitamente o confronto do ego com o exterior da sociedade contemporânea.

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A minha irmã está em Madrid, a minha melhor amiga em Barcelona, o meu melhor amigo amigo em Utrecht, o meu casal em Berlim. Aposto que tu estás na Conchichina, não é caraças?

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3.9.10

With Love







É o meu próximo álbum. 

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2.9.10

A Banhista



A Mariana, a miserável, dentro da sua genialidade gigante desenhou do Gerês o que eu fotografei na Terceira. Como o Verão está a dissipar-se, fica a memória. Espero que ela goste e que perdoe a minha apropriação para a analogia.

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Coragem ténue



Eu assusto-me com o que as pessoas dizem. Melhor dizendo, assusto-me com as suas coragens. Quando a coragem das suas verdades está debaixo do palato inferior e salta cá para fora sem aviso. Fico acelerada. Como eu amo estas pessoas. Assusto-me, mas acho-as interessantes. Como um caso de estudo.Não entendo de onde lhes vem tanta verdade, mas quem me dera a mim ter metade das suas certezas. Seria tão melhor: gritar. Eu sou do tipo de pessoa que não pode gritar, quase pouco falar.

Fotograma do filme City Girl de Murnau, 1930

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