16.12.10

Carlos Pinto Coelho




Ao jornalista Carlos Pinto Coelho devo o livro A Vida de Pi do Yann Martel. Lembro-me perfeitamente da entrevista no Acontece ao escritor que me levou a comprar e devorar o livro. Aconteceu-me numa altura tão importante da minha vida que faz sentido agradecer-lhe (ainda que numa tão feia hora).

Já é o Senhor Natal?




É que aqui a Annie está a adorar receber estas prendas todas antes do tempo. Muito obrigada (devo ter mesmo feito muito bem a alguém).

Da esquerda para a direita:
O Cinema e a Encenação de Jacques Aumont
Os Filmes da Minha Vida (2º volume) de João Bénard da Costa
Teatro I de Harold Pinter
Teatro II de Harold Pinter
Do Cinema de Jorge Luís Borges e Edgardo Cozarinsky

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12.12.10


Passaram-se décadas. Ela cresceu e agora tem 47 anos. É lindíssima. É abismal. Confidenciou-me o que pensava: "circunscrever uma vida ao lado de um abismo não é morrer, mas é a morte e eu estou pronta". Percebi mais tarde que foi este o momento em que ela, justamente, pensava que tudo estava prestes a começar. Sim, a começar. Escreveu-me meses depois. Abri a carta e os músculos cumpriram o seu propósito tentando dissimular o nervosismo do meu corpo. Afinal, primeiro, sentou-se à beira do precipício, tirou os sapatos e deixou-os cair. "Não se ouviu o embate no chão", disse. O abismo segurou-os. "Se te atirares, o abismo cumpre a função", escreveu ela.


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4.12.10

Ser apanhada pelo boss a dançar/curtir/eventualmente-a-fazer-air-guitar sozinha no concerto dos Lower Dens enquanto devia estar a vigiar a porta? É a minha cena!




 música Rosie dos Lower Dens do álbum Twin-Hand Movement

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down, down, down



Não percebo bem a letra da música, ou não quero perceber...há muito "down, down, down" ali no final.

Música Lover's Start dos How to Dress Well, do álbum Love Remains

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2.12.10

Venham, que é tuga





Mais uma ajuda à navegação aveirense. Começa hoje a mostra de cinema português organizada pelo Cineclube de Aveiro. É no querido Teatro Aveirense, como de costume. As sessões começam às 22h com excepção do dia 6 em que o realizador João Botelho vem dar dois dedos de conversa com o público antes do Filme do Desassossego (às 21:30).
Aqui fica a programação:

Dia 3- Sexta-feira:
Desassossego, de Lorenzo Degli'Innocenti
Vicky and Sam, de Nuno Rocha
A Única Vez, de Nuno Amorim
Fantasia Lusitana, de João Canijo


Dia 5- Domingo:
Canção de Amor e Saúde, de João Nicolau
2 Mulheres, de João Mário Grilo



Dia 6- Segunda-feira:
Filme do Desassossego, de João Botelho



O cartaz é da nossa doce Menina Limão
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1.12.10

Quadros, quadrículas, histórias e(m) potência(s)









Aqui estou eu entregue ao desespero da matemática. São demasiadas as geometrias, as linhas, o vertical e o horizontal como a revelação do bem e do mal. No final, já não há certo nem errado. Só há uma infindável lista de ses. Tantos ses, que para além de se reproduzirem no inconsciente subdividido do espectador, estão, ainda, dentro da própria imagem. Janelas, esquadrias, portas, cordas, rectângulos... infinitos rectângulos. Infinitas possibilidades dentro de regras que já sabemos que foram quebradas. E só o sabemos porque o fora de campo é tramado. Porque Mike Nichols é um filho da mãe e nem se dá ao trabalho de nos mostrar o facto. É o seu idioma (atenção, porque eu respeito-o bastante). E ficamos com os ses; tantos, tantos quanto a matemática (leia-se: matemática para quem não a domina) nos pode torturar. Ses perversos mas exactos. Agora; quando se trata de representação pictórica, o poder do desenho é uma arma avassaladora e todos estes quadrados fazem-me pensar, obviamente, em BD. E a coisa complica-se sem que consiga explicar bem (até porque na banda desenhada a história desenha-se dentro de quadrados desenhados, topam?). Mas vou mostrar-vos. Estamos já elevados a que potência? É que eu perdi-me.




(note-se que o peso de Who's Afraid of Virginia Woolf  dura uma noite num filme de 130'. Em Sleepwalk bastam-nos, por agora, 6 rectângulos.)


Fotogramas do filme Who's Afraid of Virginia Woolf de Mike Nichols, 1966
Excerto do livro Sleepwalk: and other Stories de Adrian Tomine

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29.11.10

Este blog fez um ano e eu esqueci-me.



Façam-lhe uma festa surpresa para compensar.


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Dizer de boca (réplica nº2)


Tenho uma amiga que é farmacêutica e trabalha numa aldeola. Perguntou-me, muito séria, se eu alguma vez tinha tido a necessidade de aplicar a expressão "boca do corpo". Disse-lhe que não. Ela fez uma cara desiludida e disse-me que a malta do cinema não entende nada e nem sequer está sensibilizada para a complexidade linguística das utentes de Portugal.
Concordei com ela. 

(Viva o Canesten Vaginal, a arminhar a poesia farmacêutica desde não-sei-quando)

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Dizer de boca (réplica nº1)


estende a tua mão contra a minha boca e respira,
e sente como respiro contra ela,
e sem que eu nada diga,
sente trémula, tocada coluna de ar
a sorvo e sopro,
ó
táctil, ininterrupta,
e a tua mão sinta contra mim
quanto aumenta o mundo.

Humberto Helder no Ofício Cantante.


(btw, o Ofício Cantante foi o livro que mais vezes embrulhei contrariada porque nunca nenhum era para mim. Achava que nenhum dos clientes da livraria onde trabalhei o merecia... bem, pelo menos enquanto eu não tivesse um para mim... que ainda não tenho, caso algum familiar esteja a ler este post. Oh, jingle bells, jingle bells. Jingle all the way... la la la).


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Dizer de boca



- Sabe, o meu pai não é homem para escrever. Assinava o seu nome tão bem como qualquer outro e até lambia o lápis. Mas cartas, nunca escreveu. Dizia muitas vezes que aquilo que se não podia dizer de boca, também não valia a pena pôr no papel.


em As Vinhas da Ira de Jhon Steinbeck

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Onde estás? Aqui



literalmente, ali.

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Frio Vs Amor

Enquanto conduzo pela cidade vazia a caminho de minha casa passo por 3 ou 4 pessoas. Cada uma delas caminha completamente sozinha pelo frio da rua. Cabisbaixo, claro, numa destas noites aveirenses onde a tempestade concentra-se nos ossos e  o corpo se reflecte como um escudo protector.
Não tenho pena delas. Só há um motivo que as faça sair de casa. Se se deslocam a estas horas é porque vão fazer amor. Alegro-me.

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22.11.10

All together




Como é tão raro vê-los no mesmo plano, aqui estão! Funcionam tão bem cada um no seu lado (da câmara)  porque lado a lado são tudo isto.

Adriano Sodré do nosso querido Interlúdio.
Teresa Queirós do Interlúdio (também) e do An itsy bitsy self.

Fotografia minha


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20.11.10

the will to death




Longidão não existe, mas mói. Ou será que mata? 
Longidão não existe.

Fotografia de Mary Robinson

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19.11.10

Mazurcas




(não sei há quantos anos trago esta música no peito. provavelmente há demasiados)

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16.11.10

É giro, porque eu ontem não chorei. Não conseguia. O meu corpo tinha tantas outras coisas para fazer... não tinha tempo para chorar. Hoje acordei. (Acordei?!! como se tivesse dormido) e há luz, e os carros e as pessoas passam lá fora. Tornam tudo vivo. E eu estou morta. Então choro agora.

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15.11.10

bang bang (réplica nº1)

Não é uma operação de associação, mas de diferenciação, como dizem os matemáticos, ou de desaparecimento, como dizem os físicos: um potencial estando dado, é necessário escolher outro, não qualquer mas de tal maneira que uma diferença de potencial se estabeleça entre os dois, que seja produtor de um terceiro ou de qualquer coisa de novo.

Deleuze



Fotograma do filme La Double Vie de Veronique, de Krzysztof Kieslowski, 1991

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Bang Bang







Fotogramas do filme La Double Vie de Veronique, de Krzysztof Kieslowski, 1991

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12.11.10

Pão e cigarros





São crianças e pediram-me uma das cadeiras da minha mesa. Dei. Depois levaram-me o isqueiro e o cinzeiro. Dei. Pediram pão e comeram. Agora fumam-me cigarros de paciência com bolas de pão mastigado no canto da boca.

Fotografia de Joseph Szabo, 1969

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contas vezes contas

Sem mais sete vezes trinta e uma oportunidades de falhar, fico eu sem menos trinta e uma vezes sete oportunidades de te dizer que não sei onde vou parar. Ficas tu duzentas e dezassete vezes com tudo, dás-me duzentas e dezassete vezes o tudo ou nada da nossa vontade de fugir.

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10.11.10

Faz o frio ou Detesto dormir cheia de roupa

Tenho 3 pares de meias calçadas, uns leggings e umas calças de pijama, duas camisolas de algodão e um casaco de lã. Tenho lençóis, edredão, uma manta e 3 cobertores... Carambas, isto podia resolver-se de forma tão mais simples...

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4.11.10

S.



JACK- (...) Esvaziei a minha carteira. Era de esperar que um miúdo aceitasse subornos: mas tu não. (pausa) Ele [o Pai] já se tinha ido embora há um ano, quando tu fizeste oito anos e começaste a desmaiar. Na escola andavas a desmaiar a toda a hora, a professora ligava-me, eu dizia-lhe que era de família. (tempo) Sabes aquele sonho? Estamos a caminhar à beira de um precipício e está vento e escorregadio, estamos os dois lá em cima e tu és pequeno e estás a fazer disparates, não me prestas atenção e eu estou mesmo a ver o que vai acontecer e depois tu Cais. Escorregas-me da mão e cais no precipício. Eu vejo-te no ar, a cair, a ficar mais pequeno, e depois Desapareces.

Pausa

Então comecei a falar. Contei-te tudo sobre o pai. Tudo aquilo que me viesse à cabeça. Punha um prato com comida à tua frente, um copo de leite, um bocado de pão. Tu ouvias-me como se eu fosse um Deus a falar e comias o que eu te pusesse à frente.

Excerto da peça "Num dia igual aos outros" de John Kolvenbach.

(Este tipo; és tu a falar-me. E aquela da imagem és tu, e sou eu a ver-te enquanto caio.)

Fotografia da Annie
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É assim que eu faço



"Havia muitas formas de fazer isto.Tu pegaste isto pelos tomates.": foi, até hoje, o melhor elogio que um Professor me deu.

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Cortei o fora e o dentro



Cortei o fora e o dentro. Estou dentro; encostada às portadas. Estou fora; espalhada nas luzes que resistem. 

Fotografia da Annie

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14.10.10

Bad idea



Steffen Basho-Junghans- Inside the rain



Ouvir parte do concerto do Steffen Basho-Junghans completamente às escuras num cubículo de 1 metro quadrado, sem poder vê-lo a ele nem a ninguém... só a lidares contigo próprio: Not a good idea.

Fotografia de Nuno Cassola

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13.10.10

Notícia de última hora: a Annie apaixonou-se.


Depois de longos e solitários meses, Annie descobre uma nova razão para viver. 
O seu arrebatamento é tão forte e descontínuo que Annie quase que desmaiou. Mas respondendo às nossas questões em primeira mão, ainda na ambulância, Annie diz que, e passo a citar, "é tudo uma questão de tamanhos."

 Ora clica Aqui, meu amor!! 


Vá, deixem-me ser assim só hoje. Post ao abrigo das normas jornalístico-literárias do Correio da la Mañana.

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12.10.10

Go get some Rosemary



E o miúdo acertou. Quando o Pai lhe perguntou eu fiz as minhas apostas. E também acertei!
Vão-me Buscar Alecrim soube a muitas coisas boas, mas a pouco também.

Fotograma do filme Go Get Some Rosemary dos irmãos Safdie, 2009.

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7.10.10

Ando a dar-lhe na gelatina de morango. E tu?


E gelatina? Funcionará por completo? Hmmm

não me lembro onde desencantei a imagem.
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