É enorme a minha tristeza para quem me ensinou isto -justamente, os limites da morte na produção artística- como nenhuma outra pessoa:
"En un momento en que vida y obra parecen haber dicho ya la última palabra. El brillo en los ojos, la mirada firme entre el estupor y la serenidad, eran dominadores comunes (...) con independencia de su desigual valor estético. Como si en lugar de cerrar los ojos ante la muerte próxima, el artista necesitaría abrirlos para dar fe de una especie de obstinación sumergida"
Domenèc Font
Faleceu hoje aos 61 anos um grande professor meu, depois de ter feito um esforço enorme em dar-nos aulas extraordinárias enquanto combatia a doença. Estava para além da teoria, levava-nos muito além do Cinema.
Primeiro, só recebo mails sobre as noites de festa do Indie Lisboa e quando fui buscar o meu press card ao acolhimento do festival disseram-me que vou ter um cacifo onde os outros acreditados podem deixar-me mensagens. Acho que a malta vem para uma ramboia lixada, pá!
No meio disto tudo o que me deixou bem contente foi receber o catálogo dos filmes super detalhado, que, isso sim e deixem-me adiantar, é um bem valioso.
Aos meus amores imaginários de quem eu não gosto, aos meus amores imaginários que não gostam de mim, ao meu amor imaginário de quem eu gosto e também gosta de mim...
Escrevi na Magnética Magazine uma crítica simples sobre o filme Les Amours Imaginaires que estreou em Portugal no Festival Indie Lisboa 11. Como me passei um bocadinho da cabeça e escrevi demasiado, o texto foi dividido mas pode ser lido na íntegra fazendo cliques vários: parte I e parte II. (No final da página da Magnética Magazine, cliquem no menu CINEMA e está lá tudinho).
Tudo o que quiserem dizer sobre o filme e sobre o texto é muito bem-vindo.
- Anda, parte esse prato! Parte! Parte se és capaz.
- Não quero.
- Vá, tem coragem. Parte esse prato. Manda-o ao chão!
- Não me apetece, já te disse.
- Parte! Não te apetece? Parte-o!
- Já disse que não.
- Mas porquê? Costumas partir pratos? Parte-o! Manda-o!
- Não quero, não me apetece agora!
- Mas costumas partir pratos?
- Sim, já parti.
- Mas sem ser sem querer? Já partiste?
- Sim. Já parti porque me apeteceu.
- A sério?
- Sim!
- Fogo, tu és doido!
After two seconds we forget that we haven't seen each other in months.
Pfff... como se isso tivesse a menor importância para quem não olha o amor com cobardia.
It takes courage!
(A Annie e a Annika andam tão felizes e até vão viajar e o caneco e o camandro. Acampamos à noite na praia, filmamos de tarde, vamos às conferências de manhã: somos hippies intelectuais!)
O dia foi longo. Houve baús poeirentos, roupa lavada estendida, passeios na praia, corridas no parque, beijos e salada de queijo fresco. Depois banho; e para terminar um grande dia nada me faz respirar mais o sabonete de mel do meu corpo do que um Truffaut no sofá.
Amor em fuga, pela milésima vez, será.
As casas dos soldados-amor vêm marcadas nas listas dos endereços sem fala. Os soldados-amor chegavam a casa, despiam os rectângulos coloridos e calavam-se. Viam crianças a correr e se caíam, não as amparavam. Irritavam-se com os choros dos civis. Sonhavam falar outros idiomas para poderem passar despercebidos. Nunca se sentavam em terra batida e o pó do chão amado, sonhavam comê-lo na ponta das velhas espingardas. Não falam nem para dizer que a guerra é dura, não falam, nem para dizer que desesperam ser amados uma última vez.
Amo Ozu por amar Wim Wenders. Aconteceu assim. Peço desculpa. Talvez Wenders seja mais uma etapa do caminho, mas, e ainda que me falte ouvir coisas de realizadores como a Claire Denis, o Kaurismaki, o Jim Jarmusch, o Hou Hsiao-Hsien ou o nosso Pedro Costa; por agora... só quero amar Ozu em alemão.
Depois virão as outras etapas, eu conheço-me... do japonês ao português; amá-lo terá todo o tempo .
Note-se que embora Wim Wenders seja alemão, ele narra o filme em inglês, mas não é isso que me interessa.
Holly- Go ahead. Get the whiskey. I'll pay you for it.
Paul- Holly, please.
Holly- No, no. You disaprove of me, and I do not accept drinks from gentlemen who disaprove of me. I'll pay you for my own whiskey. Don't you forget it.
Paul- Holly.
Holly- I do not accept drinks from disaproving gentlemen, especially not disaproving gentlemen who are kept by other ladies. So take it. You should be used to taking money from ladies by now.
Paul- If I were you, I'd be more careful with my money. Rusty Trawler is too hard a way of earning it.
Holly- It should take you exactly four seconds to cross from here to that door. I'll give you two.
Fotogramas e diálogo do filme Breakfast at Tiffany's de Blake Edwards, 1961.
A palestra do próximo dia 30 de Março, será apresentada pelo Prof. Doutor José Fernando Mendes, investigador internacionalmente reconhecido pelo seu trabalho na Teoria de Redes e vice-reitor da Universidade de Aveiro.
O tema da última conferência do “Horizontes da Física 4” é dedicado a uma das mais recentes áreas de estudo da Física, a Teoria de Redes. Será apresentado, de uma forma clara e acessível, a origem de algumas redes hoje tão utilizadas no dia-a-dia, tal como a Internet e as redes sociais ou descobrir como funciona o algoritmo do PageRank usado pela Google.
Qual terá sido o contributo da Física nesta área? Será que a Física ajuda mesmo a ganhar milhões?
Venho por este meio agradecer, oficialmente, ao menino que ontem fez uma inversão de direcção na rotunda das pontes para parar o carro perto de mim e dizer-me: "eu queria tanto conhecer-te." Obrigada, man. Aumentaste-me o ego deliberadamente.