14.6.11

Cine-Santos

Encontrei o João Botelho em pleno cenário de Santos.
O álcool fez-me falar: - João Botelho! Grande realizador português!
Ele riu-se imenso e olhou-me com surpresa. Aproveitou a situação para se rir com uma série de "meninas" que tentava guiar de um modo ébrio pela Bica.
Voltei-me para os meus amigos. Estavam estupefactos. Perante as suas caras tive que me explicar:
- Já não posso mentir? É? Aiiii!!

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9.6.11

No quarto da Vanda




Às vezes não interessa o lugar. Começamos com um artigo de um realizador japonês. Vocês sabem... o Nobuhiro Suwa. Primeiro lemos em inglês, criticamos a intenção da tradução. Esclarecemo-nos em português, alemão e voltamos ao inglês. Discutimos a prática. Eu sou a primeira a trazer os factos à luz da técnica. Faço desenhos esquemáticos com câmaras e possíveis ângulos de enquadramento de determinados planos. Falo-lhe das relações que se estabelecem com a luz e com o que está fora de campo. Daqui saltamos para uma nova fase. Falamos das setas que eu desenhei: da direcção bilateral. Das combinações possíveis entre as variáveis. São actores profissionais, não são actores profissionais. O nome dela é Vanda. Cospe para a cama. A imagem vista pelo espectador na sala de cinema é ela. Aspiramos ser precisas com as palavras. Discutimos as palavras exactas que devemos usar. Exploramos outros caminhos. Lembramo-nos de quadros, esculturas, peças de teatro. Só depois vem a literatura. Carambas, sabemos tão pouco aqui... Isso, sabemos nós bem! Não nos preocupamos. Deixamos a teoria... a sociologia, a psicologia, a filosofia. Escolhemos a antropologia. Pensamo-nos. Libertamo-nos do artigo. Estivemos demasiado tempo nisto: "Pedro [Costa] has not taken advantage of reality to fabricate a pseudo-real world; nor has he attempted to preserv some intact fragments of real life. Vanda signifies both Vanda and Pedro, images crystallized through the interaction with the spectator's gaze. She is a representation of new gazes that contemplate how people can live together...Vanda is now. She is here just now...". Rimo-nos muito, claro. Depois calamo-nos por alguns minutos. Há demasiadas coisas a pairar. As pontas dão nós. Não são os mesmo nós, mas são-nos comuns. Precisamo-nos na teoria. Somos na prática. Também aqui e agora. Somos. Sem mais nada. Com falhas imensas, honestamente. Só para isto é que a teoria nos serve. Negamos o fetichismo teórico, inventamo-nos. Estamos felizes. Vemos outra vez o filme português. Dormimos. Fico doente; ela cuida de mim em alemão.

Fotograma do filme No Quarto da Vanda de Pedro Costa, 2000
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5.6.11

Votem no Cineclube de Aveiro


Granda programação nossa.
Granda cartaz dela.
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27.5.11

Poderes



Desde as 7 da manhã do dia de hoje e num curto espaço de tempo, começaram a chegar vídeos e fotografias do que está a acontecer na Plaça Catalunya em Barcelona. Vídeos como o que publico aqui em cima  emergem em questão de minutos na Internet. Não posso deixar de admitir a minha perplexidade perante a actuação dos Mossos d'Esquadra que continuam a bater em pessoas que simplesmente levantam as mãos em sinal de não resistência e pacifismo. É uma verdadeira injustiça e um insulto à liberdade individual constitucional. Por outro lado não posso descansar pelo número de pessoas que conheço e estimo e que estão, neste momento, nas ruas de Barcelona numa tentativa de resistência ideológica.
O que supostamente está por detrás da actuação humilhante da polícia é a pretensão de fazer uma "operação de limpeza" nesta praça onde estão acampadas, há semanas, centenas de pessoas. O objectivo seria garantir a salubridade do espaço público para uma hipotética celebração festiva relativa à vitória do Barça na Champions League amanhã... 
BULLSHIT!!
Não consigo controlar a minha indignação perante todo o cenário que se montou. Questiono-me sobre o que podem pedir estas pessoas; senão vejamos que Espanha já vive numa democracia e isto eleva-nos a um problema mais grave. O que se despreza? A democracia? O que lhe sucede? Como chegámos ao ponto em que a democracia é corrupta, violenta, desmedida, pobre, manipuladora e insuficiente? 
Outra questão prende-se com o alegado motivo que justifica a "limpeza": o futebol! Ainda há pouco, neste blog, afirmei que pouco percebo sobre o assunto. Mas deixem-me dizer que o futebol, e ainda por cima uma  Champions League, é a cara de um capitalismo podre que vivemos hoje em dia. Milhares de Euros que se pagam e circulam sobre uma minoria de pessoas que muito (ou pouco) se esforçam por viver à custa de jogadores que passam 90 minutos a correr dentro de um campo verde (e não estou a falar apenas do jogo em si: falo dos empreendimentos em infraestruturas desnecessárias- que Portugal tão bem conhece-, negócios milionários pelo pé esquerdo de não-sei-quem, apostas, etc.). Acho macabro.
Sem que a força seja recurso, o que observamos são centenas de pessoas que gestualmente (mãos no ar) se rendem à violência das autoridades e ainda assim são espancadas. Não têm armas. Não? Sim, têm! Câmaras fotográficas, câmaras de filmar, telefones, internet! Nas linhas da frente estão dezenas de pessoas que capturam o momento. Vão deliberadamente para o centro dos acontecimentos com o intuito de 'mostrar', 'dar a conhecer', 'gravar'. No fundo, uma forma de romperem o silêncio que esta democracia nos impõe e que nos vem sustendo a respiração há tanto tempo. 
A imagem ganha O poder. O poder! Mas apenas quando a imagem é bem vinculada. Quando circula livremente, quando as televisões a mostram e publicam (estive toda a tarde à espera de ver imagens na TVE internacional e só apareceram umas poucas por volta das 18 horas). Ao mesmo tempo há uma preocupação que me atormenta e que se prende com o facto de o espectador se ir habituando aos cenários de horror que vê diariamente. Uma guerra não sei onde? Vê-se umas fumaradas em planos cinzentos ou meio esverdiados e não vemos as caras nas novas guerras cirúrgicas. Não vemos a morte. Habituamo-nos. Não nos toca, não nos atinge, não nos tira o apetite. O espectador tem que estar formado para receber as imagens. O poder da imagem não faz tudo. Há que ser consciente, crítico, analista. Há que ver as consequências, ver o sangue, as lágrimas. Entender a dor não pode passar pelo simples acto de ver o noticiário. Há que fazer mais. 
Em que sociedade política é que isto é possível? Não sei. Mas, por certo, não é nesta democracia.

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24.5.11

A mulher passageira



ESTA MULHER QUE PROMETEU VIR
NÃO É A MULHER DO MEU DESEJO.
É ANTES A MULHER DO MEU TÉDIO...


ELA VIRÁ DENTRO DE UNS INSTANTES.
VAI BULIR EM TODAS AS COISAS,
VAI ANDAR POR ESTES TAPETES,
PERGUNTARÁ POR OUTRAS MULHERES.


RESPONDEREI A TUDO COM DOÇURA...
ENTRETANTO É A MULHER DO MEU TÉDIO.


E AO PARTIR, DISTRAÍDA E FATIGADA,
ESCOLHERÁ UM LIVRO NA ESTANTE
PERGUNTANDO: "- MEU AMOR, VALE A PENA?"


                                                                   Ribeiro Couto in Dia Longo


Este poema apareceu-me já por duas vezes de forma inesperada.
Tenho que pensar sobre isto.
...
Já acabei de pensar.
Pronto.

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20.5.11

Souvenir dos senhores polícias



Taxa de alcoolemia: 0.66 (ahahahah)
to drunk to fuck. vou dormir com a minha taxa. amanhã vejo se escrevi com erros. txauuuu

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isto e mais umas quantas coisas...

(a fotografia é minha)


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19.5.11

Lars Von Trier diz que compreende Hitler, e então?

Vá, agora pontapeiem-no e mandem-lhe pedras pelo excesso de liberdade de expressão. Os media são peritos nesta merda. A começar no realizador e acabar na imprensa... foda-se, não há pachorra para tanta hipocrisia junta.

Aqui, vejam lá.

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18.5.11

Desconstruções


Futebol: sem dúvida, jogo descendente da conjunção de golf com boxe.
(e resume-se a isto tudo o que penso sobre a matéria)
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Por agora já não espero por tudo o resto. Entretenho-me.





hip, under nothing
propped up by your other one, face 'way from the sun
just have to keep a dialogue
teach our bodies: haunt the cause
I was only trying to spell a loss

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17.5.11

Domenèc


É enorme a minha tristeza para quem me ensinou isto -justamente, os limites da morte na produção artística- como nenhuma outra pessoa:

"En un momento en que vida y obra parecen haber dicho ya la última palabra. El brillo en los ojos, la mirada firme entre el estupor y la serenidad, eran dominadores comunes (...) con independencia de su desigual valor estético. Como si en lugar de cerrar los ojos ante la muerte próxima, el artista necesitaría abrirlos para dar fe de una especie de obstinación sumergida"
Domenèc Font

Faleceu hoje aos 61 anos um grande professor meu, depois de ter feito um esforço enorme em dar-nos aulas extraordinárias enquanto combatia a doença. Estava para além da teoria, levava-nos muito além do Cinema.

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9.5.11

Indie cenas


Primeiro, só recebo mails sobre as noites de festa do Indie Lisboa e quando fui buscar o meu press card  ao acolhimento do festival disseram-me que vou ter um cacifo onde os outros acreditados podem deixar-me mensagens. Acho que a malta vem para uma ramboia lixada, pá! 
No meio disto tudo o que me deixou bem contente foi receber o catálogo dos filmes super detalhado, que,  isso sim e deixem-me adiantar, é um bem valioso.

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Aos meus amores


Aos meus amores imaginários de quem eu não gosto, aos meus amores imaginários que não gostam de mim, ao meu amor imaginário de quem eu gosto e também gosta de mim...

Escrevi na Magnética Magazine uma crítica simples sobre o filme Les Amours Imaginaires que estreou em Portugal  no Festival Indie Lisboa 11. Como me passei um bocadinho da cabeça e escrevi demasiado, o texto foi dividido mas pode ser lido na íntegra fazendo cliques vários: parte I e parte II. (No final da página da Magnética Magazine, cliquem no menu CINEMA e está lá tudinho).

Tudo o que quiserem dizer sobre o filme e sobre o texto é muito bem-vindo.

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4.5.11

Faro parece-me sempre bem para fazer encontros

A AIM- Associação de Investigadores Da Imagem em Movimento ocupa a Universidade do Algarve para o seu I encontro anual e para outras coisas maravilhosas. O programa já está online caso se interessem.
E se nos chamam... a malta vai, claro!

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3.5.11

Tinha que ser...

- Anda, parte esse prato! Parte! Parte se és capaz.
- Não quero.
- Vá, tem coragem. Parte esse prato. Manda-o ao chão!
- Não me apetece, já te disse.
- Parte! Não te apetece? Parte-o!
- Já disse que não.
- Mas porquê? Costumas partir pratos? Parte-o! Manda-o!
- Não quero, não me apetece agora!
- Mas costumas partir pratos?
- Sim, já parti.
- Mas sem ser sem querer? Já partiste?
- Sim. Já parti porque me apeteceu.
- A sério?
- Sim!
- Fogo, tu és doido!

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2.5.11

Pela noite


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Logo pela manhã


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Amizade e as suas histórias de amor




After two seconds we forget that we haven't seen each other in months.
Pfff... como se isso tivesse a menor importância para quem não olha o amor com cobardia.
It takes courage!

(A Annie e a Annika andam tão felizes e até vão viajar e o caneco e o camandro. Acampamos à noite na praia, filmamos de tarde, vamos às conferências de manhã: somos hippies intelectuais!)

A fotografia é de uma tal de Alayna Jay
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Eu, na minha ignorância, vi


Se Godard é Godard... eu tenho tempo de lá chegar.
Por agora admito a incapacidade para o que quer que seja. Ele que espere.

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27.4.11

IndieLisboa 11

Já me está a dar uma trabalheira, mas das boas.


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24.4.11

Passei a Páscoa com o Manel Augusto, o Magusto, o Cobrejão Estelar

O Magusto é padre. Não voltou a repetir o que me tinha dito daquela vez: "amar com criatividade, Ana."
Falámos da dor.
Cada coisa a seu tempo.

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13.4.11

O Amor em Fuga


O dia foi longo. Houve baús poeirentos, roupa lavada estendida, passeios na praia, corridas no parque, beijos e salada de queijo fresco. Depois banho; e para terminar um grande dia nada me faz respirar mais o sabonete de mel do meu corpo do que um Truffaut no sofá.
Amor em fuga, pela milésima vez, será.

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12.4.11

Let me torture you a little bit...



but, still, with tender love. 

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7.4.11

A imobilidade sempre me fugiu do carreiro



(Nos últimos tempo, não existe imagem que me atormente tanto como esta. Aguentem-se aí.)

Christina's World de Andrew Wyeth, 1948.

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Losing the war


As casas dos soldados-amor vêm marcadas nas listas dos endereços sem fala. Os soldados-amor chegavam a casa, despiam os rectângulos coloridos e calavam-se. Viam crianças a correr e se caíam, não as amparavam. Irritavam-se com os choros dos civis. Sonhavam falar outros idiomas para poderem passar despercebidos. Nunca se sentavam em terra batida e o pó do chão amado, sonhavam comê-lo na ponta das velhas espingardas. Não falam nem para dizer que a guerra é dura, não falam, nem para dizer que desesperam ser amados uma última vez.

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Quero voltar a ter um gato...


Para lhe dar o nome de Fellini.

(esta era a minha/nossa Leloo que passava o dia na minha cama a espalhar magia e pêlo como uma rainha)

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3.4.11

Amar em francês



Comme des enfants de Coeur de Pirate

Agora todos:
Encore, et moi je t'aime un peu plus fort
Mais il m'aime encore, et moi je t'aime un peu plus fort
...

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2.4.11

Amar em alemão



Tokyo-Ga de Wim Wenders, 1985. 

Amo Ozu por amar Wim Wenders. Aconteceu assim. Peço desculpa. Talvez Wenders seja mais uma etapa do caminho, mas, e ainda que me falte ouvir coisas de realizadores como a Claire Denis, o Kaurismaki, o Jim Jarmusch, o Hou Hsiao-Hsien ou o nosso Pedro Costa; por agora... só quero amar Ozu em alemão. 
Depois virão as outras etapas, eu conheço-me... do japonês ao português; amá-lo terá todo o  tempo . 

Note-se que embora  Wim Wenders seja alemão, ele narra o filme em inglês, mas não é isso que me interessa.

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1.4.11

Assusta-me, fascina-me, desafia-me.







Holly- Got any whiskey upstairs?
Paul- But you've had enough.
Holly- Go ahead. Get the whiskey. I'll pay you for it.
Paul- Holly, please.
Holly- No, no. You disaprove of me, and I do not accept drinks from gentlemen who disaprove of me. I'll pay you for my own whiskey. Don't you forget it.
Paul- Holly.
Holly- I do not accept drinks from disaproving gentlemen, especially not disaproving gentlemen who are kept by other ladies. So take it. You should be used to taking money from ladies by now.
Paul- If I were you, I'd be more careful with my money. Rusty Trawler is too hard a way of earning it.
Holly- It should take you exactly four seconds to cross from here to that door. I'll give you two.


Fotogramas e diálogo do filme Breakfast at Tiffany's de Blake Edwards, 1961.


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