2.10.11

Black hole



Escusas de me aparecer em sonhos se nem aí demonstras intenções de me falar. Estamos entendidos?


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30.9.11

Manifesto brasileiro



Legenda: Senhores apartir de hoje 3-9-2011 à noite. Terminal Santo Amaro não funcionará mais.

Vezes sem conta penso que o Brasil não me inspira. No início isto incomodava-me bastante. Hoje, por incrível que pareça, quase que agradeço a calmia. Sofro do claro e evidente síndrome “ a-minha-YASHICA-fica-em-casa”. As ruas parecem-me feias e as pessoas bichos estranhos. Os céus são atravessados. São Paulo não tem céu. Tem cabos eléctricos, tem parabólicas, arranha-céus de poluição. O cheiro é frito, a cor é de “suco” de morango a 3 Reais. Ainda não sou daqui ao mesmo tempo que não sei quanto tempo irei demorar. As pessoas dizem-me que eu estou a perder o sotaque. A merda! Se elas percebessem o quanto eu me esforço para lhes falar, para assassinar a minha voz… Mas isso é o menos. Porque gostam de mim. Querem-me, ouvem-me, respeitam-me, faço a diferença. Este fenómeno da ascensão é a minha calmia. Explico. É um país inteiro. No “metrô” gritam os altifalantes constantemente: “Não se coloque na frente da porta do trem. Os acentos de cor azul, são de uso preferencial. Não escute sua música alto, pode perturbar os outros passageiros. Não force a entrada. Passageiro, denuncie por mensagem caso observe comércio ilegal, seu nome será anónimo. Não deixe que as crianças se sentem nos degraus.” CONSTANTEMENTE! Constantemente, lavagem, mensagem, proibido, ensino, ensino, ensino, educação, proibição. Saio do metro; a 5 metros, o homem dorme abandonado no chão. É sujo, sujo, sujo. Saio do metro; a 20 metros, entro no cinema, aguardo na fila para pedir bilhete para ver gratuitamente um filme do Béla Tarr num festival. Não pago. E não é por trabalhar na área, pelo cinema em questão ser nosso parceiro. Não pago, porque não é para pagar. Porque é gratuito para todos. E isto não me inspira. A sede, a sede não me inspira. A fome, a fome não me inspira. O sôfrego não me inspira. Todas as noites estou cansada. Canso-me de toda a informação. Canso-me de ver tanto, de não haver espaço para me inspirar. Canso-me na minha profissão e por ser boa, caraças! Canso-me porque dão-me para as mãos coisas importantes para fazer. Porque não trabalho num part-time, não tenho que provar que sou melhor que todos os meus colegas de curso desempregados. Sou um recurso, usado e satisfeito por desempenhar a função, porque os desafios são enormes, cada vez maiores, todos os dias (“hmmm… vamos tentar este do Afeganistão?”). Sou estrangeira e vista como um bem-maior, uma solução. Não sou lixo nem 3 meses à experiência. Faço reuniões, não vivo preocupada, o trabalho satisfaz-me, completa-me. E eu que sempre duvidei que assim é que devia ser, vejam lá?... E ainda assim não vivo inspirada. Mas muito melhor que isso, vivo atenta e vejo e estou calma e estou consciente. O povo é altamente estratificado, o racismo é só ‘alto’. Os altos são todos tão diferentes. Os baixos são todos diferentes também. Mas o Brasil é livre, é desinformado, é desanuviado. Não se pensa em futuro, poluição, reciclagem, emprego, crise, preço do gasóleo, o que mais for. Não estão preocupados. Não há preocupação. A TELEVISÃO! Merda, bosta, cagalhões.  E a esquizofrenia? Pimbas, canal de TV em sinal aberto com o nome "TV CULTURA". Mil vezes melhor que aquele programa que ninguém sabe o nome da RTP2. Este Brasil em transformação. Este poder podre da economia. A Petrobrás paga. Ai, que soa tão falso. A falsidade da economia em ascensão. O Brasil não me inspira coisíssima nenhuma!




A fotografia é da Diana Carvalho, a minha amiga imaginária.
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27.9.11

Santo Forte



eu tava rezando ali completamente
uma crente, uma lente, era uma visão
totalmente terceiro sexo,
totalmente terceiro mundo, terceiro milénio
carne nua, nua, nua, nua, nua, nua 
era tão gozado

Caetano Veloso, Eu sou neguinha?

Vanessa da Mata, Eu sou neguinha?

Se há 2 meses atrás me dissessem que eu teria adorado, amado, bailado, transpirado, rido e cantado ao som da música de um Dj com esta apresentação e nestes trajes, eu teria dito: "Ya, ya, vai indo que eu já lá vou ter!" ou "Bem que podes esperar sentado!". Hoje, não quero outra coisa!

Dj Tutu Moraes na sua noite de Santo Forte. Vénias e vénias e vénias!

(Nunca subestimem o efeito Brasil. Mesmo! O efeito Brasil tem cá um power!)

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Esta semana é vê-los nas magazines!!


<>Mariana, a miserável! (no P3 do Público

<>Adriano, o Sodré! (na Vice PT

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24.9.11

A Annie tropical com menos 80 Reais no bolso


Tudo isto é orgásmico, garanto! Dinheiro bem investido, pááá!

Apresento-vos: Jabuticaba (-pensavas que eram cerejas? nada a ver!-), Fruta-do-conde, Carambola,  Pitaya e não me lembro do nome daquela que parece uma laranja... mas é uma cena, que não é laranja.

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Ah, ahhhh!!!




CINECLUBE DE AVEIRO, DIA 26 DE SETEMBRO ÀS 22H NO TEATRO AVEIRENSE.


Queres, não queres? Por isto, isto e isto, não é?


O cartaz, da minha Menina Limão.

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17.9.11

A Tonga da Mironga do Kabuletê




Estamos todos tão relaxados para mandar tudo para a Tonga da Mironga do Kabuletê.


A fotografia é minha, tirada numa cachoeira de Paraty. Aprendi que as cachoeiras são, definitivamente, muito a minha cena.

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15.9.11

Uma pergunta...

Por exemplo, quando alguém te pergunta o que fizeste a noite passada... Fica muito estranho dizeres que viste o filme A Garganta Funda, com mais 3 pessoas na tua cama?
Hmmm...

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8.9.11

Because he knows too much about airplanes. Because I know too much about flying away.





E um dia há um homem que sabe muito mais do que tu. Que, por ti, conta aviões. 


Fotografias do homem

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5.9.11

I’d go hungry, I’d go black and blue





Sei que da certeza dela não lhe esconde nada da vontade. Essa que lhe é aterradora: a de lhe pisar a garganta com o pé, definitivamente.  Maltratar-se até que as veias do pescoço sejam mistura de luz com a embebida e contínua negra vontade dela. 

A fotografia é minha.

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Sobre coisas internas, intercontinentais, quase interminavelmente (im)possíveis ou Le Fil Sous La Neige (réplica n°2)


Eu não sei se os meus leitores repararam num dia específico em que o meu mundo desabou para cima, ao lado da frente. O mundo inteiro saiu-me da lona, misturou-se com luzes, arames, pessoas, bailarinos, equilíbrios e lágrimas. Era eu, mais eles, mais ninguém e sozinha. Era tudo, ainda foi tudo.
Pois então... o dia foi este. A imagem era esta.
Agora... que o mesmo espectáculo, no meio de uns 3000 espetáculos diários de São Paulo, termine a touneé em São Paulo, um ano e quatro meses depois? Que eu tenha dado com ele por acaso, outra vez? Que os bilhetes estejam esgotados e que, ainda assim (e depois de uma viagem de uma hora -sim, São Paulo é mesmo enorme-), eu consiga VÊ-LO, novamente? É porque... É porque não há  uma explicação tangível.

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23.8.11

A Mulher Incerta


O que mais me chateia com o facto de ter começado a trabalhar e não ter tempo para blogs (incluindo o meu), é não ter tempo de qualidade com A Mulher Certa... Mulherrrr!! I miss you!
Desculpa-me!
Daqui, 
a tua,
Annie-a-Mulher-Incerta.

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22.8.11

Does she still lives in his eyes?





Das respostas que não existem, surpreendem-me  as imagens que num só momento cortam a respiração a arrepiar. É que isto de vermo-nos tem muito que se lhe diga.

Fotografia minha.

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18.8.11

São Paulo (réplica n°2)

Sushi x5 = Não me tirem daqui!

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São Paulo (réplica n°1)

Estou contente por mudar de casa amanhã. Já não aguento com o assédio sexual das 9 da manhã.

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São Paulo

Antes fazia saladas com maçã, agora faço com manga!

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15.8.11

Do fundo





No jogo de ser boa pessoa, eu jogo sujo.




Fotografias minhas.

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7.8.11

Vai uma ajudinha?


Alguém deu com o meu blog por "Não consigo masturbar-me". Acho maravilhoso. 

Desconheço o autor da fotografia
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6.8.11

Opá, eu tenho tanta pena que as pessoas não me ouçam...

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As coisas maravilhosas conquistam-se até ao final



Lia Ices- Daphne

E eu gosto que ele apareça lá. Nem sendo bem ele, muito de levezinho, está lá e dá-lhe a mão. A dizer-lhe que a cumplicidade existiu, existirá; a dizer-lhe que terá toda a paciência do mundo e que a verá a transformar-se. Que será maravilhoso. Que ela não tenha medo.


(...)
And in the end it's the difference of the spirit and the matter
It's the difference of the lover and the flyer
Don't it make you want to cry?
It is nothing less, nothing less between the worldly and the want so,
all this breathing and the truth in your last breath,
don't it make you want to cry?

So flyinf, flying, and the way like a leaf grown, flying, cos the truth is in the soul we grow, flying, if flying, flying, and they wear you like leaf crown, flying, cos your truth is in the soul we grow. Flying.


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3.8.11

31.7.11

What's the matter? You hurt yourself?


Enganem-se os corpos que voam sem saber porque partem. Enganem-se os corpos manchados que confiam na sorte da morte. Enganem-se se haverá paz numa morte temporária.
A tua paz da minha paz, nem pelos teus cortes enterrados te mente.

Fotografia de Katherine Squier

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28.7.11

Questionários, livros e afins.




O querido Pedro desafiou-me para responder a um questionário sobre livros, frases, êxtases literários e outras quantas coisas relacionadas com livros. Eu, infelizmente, admito alguma preguiça em responder, ainda para mais nesta altura de andanças intercontinentais que colocam a minha estante bastante longe. De todas as formas, e achando que o mais interessante é captar alguma essência daquilo que a literatura nos deixa marcado na pele, quero partilhar-vos um acontecimento inesperado que tive o ano passado ao ler "As Vinhas da Ira" do John Steinbeck. Pela primeira vez ao ler um livro, tive plena noção de ler um capítulo (o XIV) e achar que, até à data, nunca tinha lido nada tão maravilhoso. Eu não me deixo iludir; não se enganem... e ainda assim, proponho-vos um exercício de deleite. Disponibilizo o capítulo inteiro (sim, tive que o dissecar) para quem o quiser ler na íntegra. Basta mandar um mail (bolbotenue@gmail.com). Não se preocupem os envergonhados que não faço perguntas, nem peço justificações. Posso é ganhar cúmplices, e isso, é sempre bom.

"As causas escondiam-se bem no fundo e eram simples - as causas eram a fome, a barriga vazia, multiplicada milhões de vezes, fome na alma, fome de um pouco de prazer e de um pouco de tranquilidade, multiplicada milhões de vezes; músculos e cérebros que ansiavam por crescer, trabalhar, criar, multiplicados milhões de vezes. A última função clara e definida do homem – músculos que querem trabalhar, cérebros que querem criar para além das simples necessidades – isto é o homem. Construir um muro, construir uma casa, um dique, e pôr nesse muro, nessa casa, nesse dique algo do próprio homem, é retirar para o homem algo desse muro, dessa casa, desse dique. Obter músculos fortes à força de os mover, obter linhas e formas elegantes pela concepção. Porque o homem, ao contrário de qualquer coisa orgânica ou inorgânica do universo, cresce para além do seu trabalho, galga os degraus das suas próprias ideias, emerge acima das próprias realizações."

 Excerto de As Vinhas da Ira de John Steinbeck.


A fotografia é conhecida e repetida aqui no blog. Mas como é minha e são os meus livros, acuso-me satisfeita com a reincidência. 
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26.7.11

Agora vivo em São Paulo.

Para grandes males, grandes remédios.

(devia actualizar as cores do meu template para uma versão mais tropical, não?)

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As pessoas perdem-se. Não quero dizer umas das outras, mas umas às outras... que, no fundo, é muito pior.





Costas com costas. Braços-desespero na cabeça.
Perdermo-nos, unidos, juntos.


Fotograma do filme Elegy de Isabel Coixet, 2008.

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22.7.11

Hoje andei com a palavra 'foder' debaixo da língua



E prometo-vos falar-vos de 'foder',  do filme Angèle et Tony aqui no blog. Porque a revista onde escrevo não me permite alguns devaneios... o que até se entende nas instituições com sérias responsabilidades linguístico-jornalísticas (termo, suponho, inventado agora mesmo e cujas autoridades da linguística não aprovarão... but who cares about them, anyway?). 
Aqui no blog mando eu e é o regabofe! 


Fotograma do filme Angèle et Tony de Alix Delaporte, 2010.
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17.7.11

Eu achava, eu achava que...sei lá!




Primeiro apanhei-os numa desculpa esfarrapada porque falavam nas minhas costas e aí obtive a primeira resposta: "São os teus olhos. Estávamos a dizer que deves andar cansada..."; respondi-lhes que não. Depois foi ela, directamente: "Estás triste?". Fiquei chateada. Decidi então que tinha que perguntar-lhe a Ela. Disse-me de tiro: "Desculpa lá Annie, mas só tu é que ainda não percebeste que andas triste há semanas a fio, foda-se!"

Fotografia de Eve Arnold.
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12.7.11

Livros de cabeceira

Isto, gostava de ter sido eu a começar.
Mas o homem sabe demasiado, pá!

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10.7.11

Lê-me.

Eu queria um poema perfeito
com o teu nome,
o meu,
e a nossa miséria.

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9.7.11

Deixem-me contar-vos como foi... (réplica nº1)




Escrevi um bocadinho sobre o Masculino Feminino na Magnética Magazine deste mês. Para quem quiser meter um olho e admirar-me ao lado do Godard (eu tipo Emplastro ao lado do Godard, entenda-se).

(Para acederem ao texto na íntegra, basta irem ao final da página da Magnética e clicarem no menu 'Cinema'. O texto está lá à vossa espera.)

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