Rendi-me à maçã, salvo seja.
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17.1.12
15.1.12
"O Homem Sem Futuro", um título para perceberes...
Agora sei de quando ele me falava que as mulheres deveriam ter a iniciativa e o poder. Andava fascinado, dizia que gostava delas assim e que nunca as tinha encontrado mas que queria ser roubado por elas em primeiro lugar. Agora entendo-o perfeitamente. O que ele queria era que, pelo menos uma vez na vida, não fosse ele o único a encabeçar a culpa toda do lado dele. Essa culpa que o derrotará uma, e outra, e outra, e outra vez.
(fotograma do filme O Homem Sem Passado, de Aki Kaurismäki, 2002)
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3.1.12
1.1.12
Dos subornos e dos ganhos
Haveria uma altura em que o suborno vinha com uma ridícula mesquinhez. Um certo exercício de vénias mexericas aos pobres e uma inglória dor de costas. Continuo a subornar-me parcelarmente, de verdade. Mas hoje, se quiser jogar à bola debaixo da tempestade, conscientemente, jogo à bola debaixo da tempestade. Entender que o suborno é a própria tempestade é um alívio TÃO grande.
(a fotografia é de alguém lá da casa paulista, talvez minha, mas não posso garantir.Paraty)
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27.12.11
"O" ano.
Voltar a Portugal, uma desavença académica, o coração partido, o Teatro Aveirense, os milhares de concertos da Orquestra Filarmonia das Beiras, as entrevistas de trabalho desinteressantes, o coração partido (o mesmo descrito anteriormente). As críticas para a Magnética (magazine), o desespero, a tristeza, o Concurso, a Bolsa, o coração partido (o mesmo descrito anteriormente). As tuas mãos-desespero na cabeça, o carro a arrancar, malas, bagagens, São Paulo, Brasil. O outro continente, o coração vazio, o coração partido (o mesmo descrito anteriormente). O trabalho, a felicidade, a MOSTRA, a felicidade. As responsabilidades, o vício do trabalho, o perfeccionismo, a verdade, a clareza, o bilhete de avião para o Atom Egoyan, o 'Habemus Papam' do Moretti, a vitória de um Festival, a morte de um herói, continuar o trabalho do herói: o Festival Internacional de Cinema de São Paulo. Os brasileiros, a amizade eterna, as cervejas geladas, o profissional, o pessoal. As festas, as noites, o Hotel. O japonês. O fim, os relatórios, furar o septo nasal. A Argentina, o Paraguai, traficantes de droga em autocarros, 16 horas no autocarro. Querer perder um amigo para sempre. Realmente querer. Voltar. O futuro. Lá, cá. Malas, bagagens. Vôos imensos. O Natal, os abraços, as prendas. O coração repartido. As dúvidas. São Paulo, Lisboa. O Intercidades, Lisboa.
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18.12.11
Eu que o diga
Miranda Kassin e André Frateschi, Artista é o Caralho.
Conheci esta música pela Orquestra Imperial, que canta isto numa versão mais à puta-da-loucura.
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Eu sou bom de cama,
Sei fazer café,
E ninguém reclama do meu cafoné.
MAS...
ARTISTA É O CARALHO,
É O CARALHO.
Conheci esta música pela Orquestra Imperial, que canta isto numa versão mais à puta-da-loucura.
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13.12.11
11.12.11
E o começo tem vários fins.
Cinema São Jorge, Lisboa.
E agora que estou quase no fim só me apetece pensar no começo: quando as masmorras do Cinema São Jorge eram casa. Quando os projeccionistas diziam com as bobines nas mãos: "Venha Annie. Acabei de o montar e vou projectar o filme agora". Eu largava os meus problemas do cinema português e subia ainda mais as masmorras. Entrava na sala fria e escura e o som inspirava-me a película num feixe de luz. Este foi o começo da minha fascinação pela cabine, pela sala escura, pelo que vem antes. Pelo esforço de colocar aquele filme naquela bobine.
É engraçado... porque isto não foi há muito tempo... E em breve termina mais uma etapa da menina emigrante que, embora muitas vezes tenha que abandonar a sala de cinema porque há outras e outras coisas relacionadas com Cinema que têm que se resolver com urgência, mas, que ainda assim, espera sempre os 3 primeiros minutos de filme na sala de cinema. A menina que olha a cara do projeccionista. Que lhe agradece sempre a magia de me dar o olhar daquele feixe de luz.
(A fotografia é minha)
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30.11.11
Não sei porque é que não conhecia esta música, mas aceito pacificamente que as coisas chegam quando têm que chegar.*
Hold heart don't beat so loud
for me keep your calm
as he walks out on you
no tears don't you come out
if you blind me now
I am defeated
No lips don't make a sound
don't let him hear
the break in your voice
hand let go of this
with ease n' grace
don't let him bleed
under your nails
oh Lord take off thy crown
you're my king no more
with start merciless heart
hold heart don't beat so loud
for me keep your calm
as he walks out on you
no tears don't you come out
if you blind me now
I am defeated
* principalmente na dor há que respeitar certos milagres espacio-temporais! É que não se aguenta tudo de uma vez só.
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28.11.11
24.11.11
Eu seria tão mais feliz...
se entendesse alguma coisinha de japonês escrito ou se o tradutor do Google funcionasse decentemente, carambas!
どうもありがとう
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18.11.11
17.11.11
Nipónicos em festivais de cinema em São Paulo
Hoje acabei o meu love affair, vulgo paixoneta, com o meu mais querido realizador nipónico conhecido (até hoje) pessoalmente. Só tenho medo que as minhas últimas tendências asiáticas não se desfaçam. É que o Japão fica "bué da longe", e por lá há terramotos e o caraças!
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10.11.11
Vazio 1'21'' a vazio 1'27''
A primeira lágrima cai ao minuto 1'21''. É uma lágrima cheia e tem a duração dos próximos 6 segundos até salgar os meus lábios. São 6 segundos inteiros de mim, 6 segundos de onde eu estou. SÃO 6 SEGUNDOS DE SE SER 6 SEGUNDOS sem ..., só eu, ali, sozinha.
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3.11.11
Dormir
Eu agora durmo pouco num quarto que é só cama. E essa cama não é toda minha e eu... eu estou tão cansada.
Faço questão de dormir.
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Faço questão de dormir.
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A fraternidade dos siameses pegados pela cabeça
Da minha irmã, prefiro não ter contacto. Quando ela não me fala é quando está mais feliz.
Verdade?
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Verdade?
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28.10.11
22.10.11
14.10.11
Because the world is round it turns me on
Meu amor, eu queria não querer uma noite das que me incitavas com a música que me oferecias. Quando (me) tocava tão dentro que me fazia querer afastar os cabelos, subir a cabeça ao teto, estender-te o pescoço, dar-te os ombros, esperar que me beijasses numa veia jugular.
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12.10.11
Magnética Magazine
Ainda empolgada com o intuito do meu Manifesto Brasileiro, escrevi brilhantemente sobre o filme Meia Noite Em Paris do Woody Allen na Magnética Magazine deste mês. Assumo publicamente que o filme foi um pretexto e se quiserem perceber como sou interesseira passem pela revista e tirem-me a pinta.
(para aceder ao texto na íntegra procurem o menu CINEMA mesmo no final da página da Magnética Magazine)
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(para aceder ao texto na íntegra procurem o menu CINEMA mesmo no final da página da Magnética Magazine)
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10.10.11
Youth Lagoon
Youth Lagoon, July (o nome da música tinha que ser claramente July ou não tivesse sido esse o nosso mês cheio de derrotas e penhascos em catapulta)
Oh, estas músicas que se dão ao tempo para nos preparar para o descalabro...oh, estas músicas carregadas de morte. Oh, os corpos que se balançam sozinhos no escuro de um vazio. Nunca tentaste? Então ouve isto, cala-te e engole-te.
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São Paulo (réplica n°3)
Não há nada que duas caipirinhas não contem.
Não há nada que duas caipirinhas não sejam suficientemente definitivas para assumir decisões para a vida inteira.
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Não há nada que duas caipirinhas não sejam suficientemente definitivas para assumir decisões para a vida inteira.
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2.10.11
30.9.11
Manifesto brasileiro
Legenda: Senhores apartir de hoje 3-9-2011 à noite. Terminal Santo Amaro não funcionará mais.
Vezes sem conta penso que o Brasil não me inspira. No início isto incomodava-me bastante. Hoje, por incrível que pareça, quase que agradeço a calmia. Sofro do claro e evidente síndrome “ a-minha-YASHICA-fica-em-casa”. As ruas parecem-me feias e as pessoas bichos estranhos. Os céus são atravessados. São Paulo não tem céu. Tem cabos eléctricos, tem parabólicas, arranha-céus de poluição. O cheiro é frito, a cor é de “suco” de morango a 3 Reais. Ainda não sou daqui ao mesmo tempo que não sei quanto tempo irei demorar. As pessoas dizem-me que eu estou a perder o sotaque. A merda! Se elas percebessem o quanto eu me esforço para lhes falar, para assassinar a minha voz… Mas isso é o menos. Porque gostam de mim. Querem-me, ouvem-me, respeitam-me, faço a diferença. Este fenómeno da ascensão é a minha calmia. Explico. É um país inteiro. No “metrô” gritam os altifalantes constantemente: “Não se coloque na frente da porta do trem. Os acentos de cor azul, são de uso preferencial. Não escute sua música alto, pode perturbar os outros passageiros. Não force a entrada. Passageiro, denuncie por mensagem caso observe comércio ilegal, seu nome será anónimo. Não deixe que as crianças se sentem nos degraus.” CONSTANTEMENTE! Constantemente, lavagem, mensagem, proibido, ensino, ensino, ensino, educação, proibição. Saio do metro; a 5 metros, o homem dorme abandonado no chão. É sujo, sujo, sujo. Saio do metro; a 20 metros, entro no cinema, aguardo na fila para pedir bilhete para ver gratuitamente um filme do Béla Tarr num festival. Não pago. E não é por trabalhar na área, pelo cinema em questão ser nosso parceiro. Não pago, porque não é para pagar. Porque é gratuito para todos. E isto não me inspira. A sede, a sede não me inspira. A fome, a fome não me inspira. O sôfrego não me inspira. Todas as noites estou cansada. Canso-me de toda a informação. Canso-me de ver tanto, de não haver espaço para me inspirar. Canso-me na minha profissão e por ser boa, caraças! Canso-me porque dão-me para as mãos coisas importantes para fazer. Porque não trabalho num part-time, não tenho que provar que sou melhor que todos os meus colegas de curso desempregados. Sou um recurso, usado e satisfeito por desempenhar a função, porque os desafios são enormes, cada vez maiores, todos os dias (“hmmm… vamos tentar este do Afeganistão?”). Sou estrangeira e vista como um bem-maior, uma solução. Não sou lixo nem 3 meses à experiência. Faço reuniões, não vivo preocupada, o trabalho satisfaz-me, completa-me. E eu que sempre duvidei que assim é que devia ser, vejam lá?... E ainda assim não vivo inspirada. Mas muito melhor que isso, vivo atenta e vejo e estou calma e estou consciente. O povo é altamente estratificado, o racismo é só ‘alto’. Os altos são todos tão diferentes. Os baixos são todos diferentes também. Mas o Brasil é livre, é desinformado, é desanuviado. Não se pensa em futuro, poluição, reciclagem, emprego, crise, preço do gasóleo, o que mais for. Não estão preocupados. Não há preocupação. A TELEVISÃO! Merda, bosta, cagalhões. E a esquizofrenia? Pimbas, canal de TV em sinal aberto com o nome "TV CULTURA". Mil vezes melhor que aquele programa que ninguém sabe o nome da RTP2. Este Brasil em transformação. Este poder podre da economia. A Petrobrás paga. Ai, que soa tão falso. A falsidade da economia em ascensão. O Brasil não me inspira coisíssima nenhuma!
A fotografia é da Diana Carvalho, a minha amiga imaginária.
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