Pois a malta vai ver a bola. Benfica-Porto. Tudo ferve. Mas amigo, para todo o sempre a descompostura intelectual permanecerá intacta se fores ver o tal dito jogo de futebol à tasca intelectual da cidade (o Estádio, pronto, está dito o nome), onde podes ser presenteado com o seguinte comentário do individuo barbudo da mesa ao lado; e passo a citar: "Este Garay é no futebol como o García Lorca na literatura!".
Acordou-a com um beijo nas costas, num quente que toca o algodão rosa. De todos os rosas o que lhe apetecia era pele. Dela. Sem misturas de verdades, era intencional. Acordou de barriga para baixo, sentiu-lhe o beijo rosado. Acordar já não era problemático até que as costas eram nuas: -Dormiste de soutien. Desapertou-lho. Beijou pele. Rosas, rosas, rosas.
O importante era saber a quem pertencia ele, quantos poderes das trevas o reclamavam como seu. Era esta a reflexão que nos causava calafrios. Era impossível- e também nada benéfico para uma pessoa- tentar imaginá-lo. Ele ocupara um lugar proeminente entre os demónios (...)
(...) da força e dos manicómios, como poderiam imaginar a que especial região das primeiras eras os pés livres de um homem podem conduzi-lo pelo caminho da solidão- da solidão absoluta (...) - pelo caminho do silêncio- do silêncio absoluto (...)
Quando desaparece temos que recorrer à nossa própria força inata, à nossa própria capacidade de fidelidade. Claro que podemos ser idiotas ao ponto de errarmos, demasiado estúpidos até, para sabermos que estamos a ser atacados pelas forças das trevas. Admito que nenhum idiota negociou, jamais, a venda da sua alma ao diabo: ou o idiota é demasiado idiota, ou o diabo é demasiado diabólico (...)
A surpresa é que as dicotomias nunca estiveram tão presentes: "It seems like nobody's happy now, It feels like nobody's happy now"; "Keep me up, keep me down, Keep my feet on the ground". Mas o problema é que ninguém nos ensinou a suster a respiração: "Love, love, love, love, It's just a song".
E parece-nos que é uma questão imparcial; mas é altamente parcial.
Em Janeiro de cada ano a blogosfera "reúne-se" para dar continuidade à tradição de fazer listas magníficas dos melhores filmes do ano. Como sou incapaz de juntar o Midnight in Paris e o Restless numa lista, resta-me ser visionária e superar a altruísta tarefa da classificação do Cinema em dezenas. Por todos estes importantíssimos dados e por continuar a querer honrar a blogosfera decidi reinventar o rigor das listas e eleger os melhores FOTOGRAMAS do ano. Han? Han? Han?
Aqui vão eles:
Tchapamm!
Tchapamm!
Tchapamm!
Tchapamm!
Tchapamm!!
(Fotogramas do filme Angèle et Tony, Alix Delaporte, 2011)
Fui ver a peça Exactamente Antunes no TNSJ no Porto e não me entusiasmei, admito. Não consigo "ver" o Jacinto Lucas Pires. Sempre tive dificuldades. Mas isso não significa que Exactamente Antunes não reporte com bravura para Almada Negreiros que, caraças... é maravilhoso!
Agora sei de quando ele me falava que as mulheres deveriam ter a iniciativa e o poder. Andava fascinado, dizia que gostava delas assim e que nunca as tinha encontrado mas que queria ser roubado por elas em primeiro lugar. Agora entendo-o perfeitamente. O que ele queria era que, pelo menos uma vez na vida, não fosse ele o único a encabeçar a culpa toda do lado dele. Essa culpa que o derrotará uma, e outra, e outra, e outra vez.
(fotograma do filme O Homem Sem Passado, de Aki Kaurismäki, 2002)