29.3.12

For those who think dead will bring some comfort


Wye Oak, Two Small Deaths


I'm saving up all my strength
for when I finally fail
at keeping you safe









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18.3.12

Meia flor de boca morna


É possível que os ramos se tenham tornado espessos demais. Que enquanto toca no seio direito, leve à boca o sabor de um amargo caule das silvas. Mas das pedras mártires da noite, sobram selvagens e negros os coitos interrompidos por acidentes automóveis. Onde atar-lhe o corpo não lhe é suficiente para abafar o choque e o ramo entre as pernas não lhe segura o desejo. Onde o corpo se cheira a flores de uma tristeza Maria. Mas é o cheiro do alcatrão numa noite sem mais seios, é o cheiro de um doce sofrido. O cheiro do movimento perpétuo. Aliás, pela primeira vez entendemos que o corpo sofre; o corpo não, os pés, as pernas, a cara, o pescoço, o tronco e as mãos. E fazem coisas horríveis, que o corpo diz muito mais que uma mentira. Que o corpo é um tal nervo de duras e imprecisas reacções que não o controlamos nem a interruptores de luz. Se eu pudesse, teria corrido a atar-te o corpo. Impedir-te-ia de te mostrares. Seriam as folhas de Carvalho a impedir-te a boca. Uma meia boca morna de violência ganha. Não foi pelo contrato que assumimos, foi pelas flores que comemos.

(fotografia de Marija Kovač)
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15.3.12

Une catastrophe




Une catastrophe, Jean-Luc Godard, 2008 (filme/trailer encomendado pela Viennale a JLG)

Amor, daqui o que é que nos falta aprender?


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12.3.12


Pudesse eu atar-lhe o corpo.

Que o corpo diz muito mais do que uma mentira.

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6.3.12

Viver em Lisboa tem o seu quê... quê?

Pois a malta vai ver a bola. Benfica-Porto. Tudo ferve. Mas amigo, para todo o sempre a descompostura intelectual permanecerá intacta se fores ver o tal dito jogo de futebol à tasca intelectual da cidade (o Estádio, pronto, está dito o nome), onde podes ser presenteado com o seguinte comentário do individuo barbudo da mesa ao lado; e passo a citar: "Este Garay é no futebol como o García Lorca na literatura!".

Quê?????

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25.2.12

Os meus amores negros



James Blake, A case of you (Joni Mitchell cover)


Just before our love got lost, you said
"I am as constant as a northern star"
And I said "Constantly in the darkness
Where's that at?
If you want me I'll be at the bar."

On the back of a cartoon coaster
In the blue Tv screen light
I drew a map of Canada
Oh Canada
With your face sketched on it twice
Oh you're in my blood like holy wine
You taste so bitter and so sweet

Oh I could drink a case of you darling
Still I'd be on my feet
Oh I would still be on my feet

Oh I am a lonely painter
I live in a box of paints
I'm frightened by the devil
And I'm drawn to those that ain't afraid

I remember that time you told me
"Love is touching souls"
Surely you touched mine
'Cause part of you pours out of me
In these lines from time to time
Oh, you're in my blood, you're holy wine
You taste so bitter and so sweet

Oh I could drink a case of you darling
And I would still be on my feet
I would still be on my feet

I met a woman
She had a mouth like yours
She knew your life
She knew your devils and your deeds
And she said
"Go to him, stay with him if you can
But be prepared to bleed"

Oh but you are in my blood
You're my holy wine
You're so bitter, bitter and so sweet

I could drink a case of you darling
Still I'd be on my feet
I would still be on my feet

(oremos)

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23.2.12

Rosas, rosas, rosas

Acordou-a com um beijo nas costas, num quente que toca o algodão rosa. De todos os rosas o que lhe apetecia era pele. Dela. Sem misturas de verdades, era intencional. Acordou de barriga para baixo, sentiu-lhe o beijo rosado. Acordar já não era problemático até que as costas eram nuas: -Dormiste de soutien. Desapertou-lho. Beijou pele. Rosas, rosas, rosas.

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22.2.12

Os meus heróis negros



O importante era saber a quem pertencia ele, quantos poderes das trevas o reclamavam como seu. Era esta a reflexão que nos causava calafrios. Era impossível- e também nada benéfico para uma pessoa- tentar imaginá-lo. Ele ocupara um lugar proeminente entre os demónios (...)

(...) da força e dos manicómios, como poderiam imaginar a que especial região das primeiras eras os pés livres de um homem podem conduzi-lo pelo caminho da solidão- da solidão absoluta (...) - pelo caminho do silêncio- do silêncio absoluto (...)

Quando desaparece temos que recorrer à nossa própria força inata, à nossa própria capacidade de fidelidade. Claro que podemos ser idiotas ao ponto de errarmos, demasiado estúpidos até, para sabermos que estamos a ser atacados pelas forças das trevas. Admito que nenhum idiota negociou, jamais, a venda da sua alma ao diabo: ou o idiota é demasiado idiota, ou o diabo é demasiado diabólico (...)


Joseph Conrad, O Coração das Trevas, 1902.


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28.1.12

Fui atacada por uma terrível sensação de quilómetros (réplica nº1)



二階堂和美 - 女はつらいよ
Nikaido Kazumi- Onna wa tsuraiyo
Nikaido Kazumi- Uma mulher a tentar (a tradução deve ser algo como isto)


Pode parecer que não faz sentido, mas faz todo. E não se desiste à primeira desta música. Primeiro estranha-se, depois entranha-se, e muito.


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Fui atacada por uma terrível sensação de quilómetros


Fotografia minha em plena avenida paulista.

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26.1.12

APLAUSOS!!

Hoje enfrentei a Mãe do Touro pelos cornos.

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24.1.12

Love, love, love, love,

Girls- Just a Song



A surpresa é que as dicotomias nunca estiveram tão presentes: "It seems like nobody's happy now, It feels like nobody's happy now"; "Keep me up, keep me down, Keep my feet on the ground". Mas o problema é que ninguém nos ensinou a suster a respiração: "Love, love, love, love, It's just a song".
E parece-nos que é uma questão imparcial; mas é altamente parcial.

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22.1.12

As listas Tchapamm

Em Janeiro de cada ano a blogosfera "reúne-se" para dar continuidade à tradição de fazer listas magníficas dos melhores filmes do ano. Como sou incapaz de juntar o Midnight in Paris e o Restless numa lista, resta-me ser visionária e superar a altruísta tarefa da classificação do Cinema em dezenas. Por todos estes importantíssimos dados e por continuar a querer honrar a blogosfera decidi reinventar o rigor das listas e eleger os melhores FOTOGRAMAS do ano. Han? Han? Han? 

Aqui vão eles:


Tchapamm!


Tchapamm!


Tchapamm!


Tchapamm!


Tchapamm!!

(Fotogramas do filme Angèle et Tony, Alix Delaporte, 2011)


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20.1.12

Quando algumas pessoas têm a mesma desgraça, juntam-se.


Almada Negreiros

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A propósito de ir ao TNSJ

Fui ver a peça Exactamente Antunes no TNSJ no Porto e não me entusiasmei, admito. Não consigo "ver" o Jacinto Lucas Pires. Sempre tive dificuldades. Mas isso não significa que Exactamente Antunes não reporte com bravura para Almada Negreiros que, caraças... é maravilhoso!


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19.1.12

Baby, let's dance in slow motion all night long


M83- Midnight City

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17.1.12

Viagem a Tóquio. THE BEGINNING


(fotograma do filme Viagem a Tóquio de Yasujiro Ozu, 1953)

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No Cinema, tanto

Eu fiz assim:


(excerto do filme Jackie Brown, Quentin Tarantino, 1997) 


Tu não fizeste assim:


(excerto do filme Manhattan, Woody Allen, 1979) 


THE
END
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Mac

Rendi-me à maçã, salvo seja.

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15.1.12

"O Homem Sem Futuro", um título para perceberes...



Agora sei de quando ele me falava que as mulheres deveriam ter a iniciativa e o poder. Andava fascinado, dizia que gostava delas assim e que nunca as tinha encontrado mas que queria ser roubado por elas em primeiro lugar. Agora entendo-o perfeitamente. O que ele queria era que, pelo menos uma vez na vida, não fosse ele o único a encabeçar a culpa toda do lado dele. Essa culpa que o derrotará uma, e outra, e outra, e outra vez.


(fotograma do filme O Homem Sem Passado, de Aki Kaurismäki, 2002)
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3.1.12

Pela noite (réplica nº1)

Adormecer com uma mazurca no corpo.

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Logo pela manhã (réplica nº1)

A velha sensação de acordar no Porto.

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1.1.12

Dos ganhos


Caetano Veloso, Não Enche.

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Dos subornos e dos ganhos


Haveria uma altura em que o suborno vinha com uma ridícula mesquinhez. Um certo exercício de vénias mexericas aos pobres e uma inglória dor de costas. Continuo a subornar-me parcelarmente, de verdade. Mas hoje, se quiser jogar à bola debaixo da tempestade, conscientemente, jogo à bola debaixo da tempestade. Entender que o suborno é a própria tempestade é um alívio TÃO grande.

(a fotografia é de alguém lá da casa paulista, talvez minha, mas não posso garantir.Paraty)
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27.12.11

"O" ano.


Voltar a Portugal, uma desavença académica, o coração partido, o Teatro Aveirense, os milhares de concertos da Orquestra Filarmonia das Beiras, as entrevistas de trabalho desinteressantes, o coração partido (o mesmo descrito anteriormente). As críticas para a Magnética (magazine), o desespero, a tristeza, o Concurso, a Bolsa, o coração partido (o mesmo descrito anteriormente). As tuas mãos-desespero na cabeça, o carro a arrancar, malas, bagagens, São Paulo, Brasil. O outro continente, o coração vazio, o coração partido (o mesmo descrito anteriormente). O trabalho, a felicidade, a MOSTRA, a felicidade. As responsabilidades, o vício do trabalho, o perfeccionismo, a verdade, a clareza, o bilhete de avião para o Atom Egoyan, o  'Habemus Papam' do Moretti, a vitória de um Festival, a morte de um herói, continuar o trabalho do herói: o Festival Internacional de Cinema de São Paulo. Os brasileiros, a amizade eterna, as cervejas geladas, o profissional, o pessoal. As festas, as noites, o Hotel. O japonês. O fim, os relatórios, furar o septo nasal. A Argentina, o Paraguai, traficantes de droga em autocarros, 16 horas no autocarro. Querer perder um amigo para sempre. Realmente querer. Voltar. O futuro. Lá, cá. Malas, bagagens. Vôos imensos. O Natal, os abraços, as prendas. O coração repartido. As dúvidas. São Paulo, Lisboa. O Intercidades, Lisboa.

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18.12.11

Eu que o diga

Miranda Kassin e André Frateschi, Artista é o Caralho.

Eu sou bom de cama,
Sei fazer café, 
E ninguém reclama do meu cafoné.
MAS...
ARTISTA É O CARALHO,
É O CARALHO.

Conheci esta música pela Orquestra Imperial, que canta isto numa versão mais à puta-da-loucura.


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13.12.11

Objectivo Brasil

Sair do Brasil sem um único par de Havaianas.

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11.12.11

E o começo tem vários fins.


Cinema São Jorge, Lisboa.

E agora que estou quase no fim só me apetece pensar no começo: quando as masmorras do Cinema São Jorge eram casa. Quando os projeccionistas diziam com as bobines nas mãos: "Venha Annie. Acabei de o montar e vou projectar o filme agora". Eu largava os meus problemas do cinema português e subia ainda mais as masmorras. Entrava na sala fria e escura e o som inspirava-me a película num feixe de luz. Este foi o começo da minha fascinação pela cabine, pela sala escura, pelo que vem antes. Pelo esforço de colocar aquele filme naquela bobine.
É engraçado... porque isto não foi há muito tempo... E em breve termina mais uma etapa da menina emigrante que, embora muitas vezes tenha que abandonar a sala de cinema  porque há outras e outras coisas relacionadas com Cinema que têm que se resolver com urgência, mas, que ainda assim, espera sempre os 3 primeiros minutos de filme na sala de cinema. A menina que olha a cara do projeccionista. Que lhe agradece sempre a magia de me dar o olhar daquele feixe de luz. 

(A fotografia é minha)
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30.11.11

Não sei porque é que não conhecia esta música, mas aceito pacificamente que as coisas chegam quando têm que chegar.*




Hold heart don't beat so loud
for me keep your calm
as he walks out on you
no tears don't you come out
if you blind me now
I am defeated

No lips don't make a sound
don't let him hear
the break in your voice
hand let go of this
with ease n' grace
don't let him bleed
under your nails
oh Lord take off thy crown
you're my king no more
with start merciless heart
hold heart don't beat so loud
for me keep your calm
as he walks out on you
no tears don't you come out
if you blind me now
I am defeated


* principalmente na dor há que respeitar certos milagres espacio-temporais! É que não se aguenta tudo de uma vez só.

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28.11.11

Santa Chuva


Marcelo Camelo, Santa Chuva


E pelos vistos também chove em Kanagawa.

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